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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um céu azul faz toda a diferença

Sabe aqueles dias em que você acorda e sem pôr a cara pra fora, sem olhar em lugar algum, você já tem a impressão de que o céu está azul formando um dia lindo? Foi exatamente assim que eu vi o céu hoje. Acordei e tive a boa sensação de estar sendo protegida, e mais, sendo encorajada a viver mais um dia. Um dia lindo. Há tempos não via o dia assim. Presumia nunca mais ver. Não sei, aconteceu. Acordei diferente e sem remelas de choro no cantinho do olho. Acordei viva, sem excessos, normal.


Quando um relacionamento termina, seja ele um namoro, uma ficada, uma fisgada... tudo parece terminar. Nos primeiros dias tudo fica embaçado e só rola choro, lamento, grito e dor. É realmente uma coisa bem dramática. Você chora no quarto, no banheiro, assistindo tv, no almoço ou no jantar, na varanda, pela janela, dentro do carro, dentro da loja, do açougue, fazendo a compra do mês e principalmente ao atender telefonemas. Isso tudo quando não te dá tamanho desespero a ponto de não cumprir suas obrigações em luto ao amor. Deixar de tomar banho, o que é pior. Na verdade, não há nada pior. Tudo parece feio. Não há cor, não há sorrisos, não há palavras, não há sentido. Perde-se o foco. Parece que tudo está voando ao seu redor e você não tem nem forças pra deixar que isso não aconteça.


Em meio a toda essa tristeza e melancolia, há duas palavras que precisam brotar e ser postas na prática para que tudo mude e volte em linha reta. Força. Um substantivo próprio e forte. Toda causa capaz de agir. Reação. Ação em contrário. Essas duas palavras tão fortes quanto suas definições são o objetivo de todo aquele que passa por uma separação. Separação, aliás, é uma palavra que provoca tumulto quando pronunciada perto de uma vítima do coração partido. Mas de onde vem a força para reagirmos a brusca queda do amor?


Raios de sol brilhavam em seu rosto. Quase que os cegava. Quando ele entrou pela porta eu pude ver dentro dos seus olhos. Olhar negro com profundidade. Quando ele abriu a boca sua fala se confundiu com meu ritmado coração que nessa hora não se conteve em acelerar. Senti uma emoção quente que saía de mim em forma de secreção das glândulas sudoríparas. Pensei em responder a ele mas sequer tinha escutado-o. E graças a efemeridade desse sentimento e do agir rápido da endorfina, voltei a meu estado normal horas depois que ele saiu de perto. Em nenhum momento eu pensei estar apaixonada. Mas senti que os estímulos acordaram o meu prazer. Por conta desse pequeno e extasiante acontecimento eu me desliguei do mundo e só fui me despertar quando me vi voltando o troco errado para um cliente antigo e chato.


Quando você simplesmente se conforma e aceita estar solteira, a vida continua não tendo sentido, mas é acordada a esperança de que dias melhores e mais coloridos virão. É nos pequenos detalhes e situações que a emoção é percebida. O amor de antes ainda existe, pois ele não era da outra pessoa, portanto não morreu juntamente com ela. O amor de antes é seu e sempre foi. Ele nasceu dentro de você. Ele vive enquanto você existir e puder sentir a sutileza de uma gostosa paixão, mesmo que essa ponha a cara por 2 minutos.


Ah, e de onde veio a força? Dos cabelos de Sansão? De um grito do He-Man? Claro que não! Ela veio de um céu azul e de um dia lindo que Deus me presenteou logo quando acordei para reagir a todos os meus dias sem cor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A lua sorriu pra mim

Estou leve. Tranqüila. Como se o oxigênio fizesse seu trajeto perfeitamente, sem curvas, sem desvios. De dentro pra fora, de fora pra dentro. Respiração controlada. Temperatura normal. Estado mental, equilibrado. Vontade de nada, só de viver. Viver!


A avenida está deserta de pessoas. As luzes dão brilho aos olhos. À frente um caminho livre, sem impasses, sem impedimentos, sem embaraços, sem nós. Nós, que já não existe mais. Que já não precisa mais morar em mim. Que já não mora. Expeliu-se como uma sujeira. Foi-se embora como um trem. Um trem carregado de sentimentos embargados que só estava à espera da próxima embarcação.


Vejo a lua sorrindo. Contemplo as estrelas. Sinto o toque das águas ao molhar meus pés. Ouvindo meu próprio suspiro. Rindo da minha própria risada. Prestando atenção na minha própria conversa. Parecendo um passarinho. Cantando não de felicidade, mas por estar desimpedida de buscá-la. Sendo eu em outras pessoas.


Vivendo. Calmamente. Sem angústias, sem atolo, sem sofrer. Estou levando meus queridos. Despachando alguns “amigos”. Sem preocupação. Devolvendo-me a minha própria vontade. Minhas convicções. Deixando minhas amarras e neuroses pra quando tiver que sobrevier. Vivendo o enquanto. O momento. A necessidade do agora. Libertando-me de tudo o que me impedia de viver, de sorrir. De ser. Abraçando minha vida.


Prefiro gastar meu tempo contando meu batimento cardíaco por minuto do que cansar meu coração.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Adeus ao remetente


"Quando olho para o meu passado, encontro uma mulher bem parecida comigo - por acaso, eu mesma - porém essa mulher sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções."


Algumas horas se passaram e ainda assim consigo ouvir claramente a tônica do seu ultimo argumento. Falado de um jeito como se o meu crime fosse um pecado tão imperdoável e superior aos seus. Ao mesmo tempo em que não aceita meu sacrifício a liberdade em nome de um suposto amor dispendioso. Como se tudo o que eu fizesse fosse por uma pretensão enorme em querer que as coisas saíssem do meu jeito, na minha hora e sem muita paciência. E sim, não é fácil. Nem tão difícil quanto colocas. Porém uma coisa é certa: não há argumento na vida que destrua a verdade que hoje se tornou tão constante em nossas vidas, somos errantes e apaixonados... Desde quando amanhecem todos os dias!


As escolhas nem sempre refletem o que pensamos ou sentimos, mas são fatores que podem mudar nossas vidas de lugar por tempo indeterminado. Com isso se aprende que quando tomamos uma decisão, seja ela pensada, forçada ou não, poder-se-á causar danos permanentes e irreversíveis. Não é uma regra errar nas escolhas quando somos tomados pelo coração, agimos pela emoção ou por qualquer sentimento que tome frente. Mas é quase um fato. Por isso, acredito que quando alguém escreveu que o sofrimento é opcional, esqueceu de acrescentar que ele também é passional, ainda mais quando se refere ao amor, e o que está ligado a ele.


Um dia desses, quando renunciei a esse blog, queria ter destruído todas as provas do passado que ainda insiste em sobreviver e assombrar. Pensar que ontem não foi melhor e nem faria mais parte da minha história de hoje em diante. Mas, (e sempre tem um mas), só fiz com que isso não se tornasse mais público ou mais evidente... Embora dentro de mim tudo estivesse tão claro, tão vivo e tão marcado. Durante esse período de silêncio refleti sobre o significado dessas páginas e qual era mesmo a finalidade disso aqui. Também nunca entendi o porquê de sempre citar você em qualquer parte. O porquê de te fazer sempre a personagem principal e o leitor mais assíduo. Como se fosse ou como se lesse... Ou como se eu dependesse suplicadamente por tudo isso. E, nossa! Você não merece uma letra minúscula, quanto mais um texto, um trecho ou uma frase minha. Uma relação sem pele, sem motivo, sem nexo e sem amor... não tem necessidade de ser, de acontecer, não é mesmo?

...

O que me resta é aceitar e, definitivamente fazer com que essas referências sejam as ultimas, não só aqui, mas em qualquer lugar que eu me manifestar e existir.


Sem mais.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


I'd never sing of love if it does not exist...


quinta-feira, 24 de junho de 2010

O amor em terceira pessoa

"Porque deixar de amar assim não é normal. Não se desama dando um mero tchau."

O nome dele na lista de contatos estava como NÃO ATENDER, e era pra respeitar essa regra que ela mesma impôs. Era pra simplesmente não atender! Era pra ela saber que jamais, em hipótese alguma, em qualquer lugar do mundo, haveria de atendê-lo. Como se fosse alguma notícia ruim, um cobrador ignorante, ou algum prisioneiro fazendo graça. Mas, depois de longas horas meditando se deveria ou não retornar, lhe fraudou, pois sua consciência já não apitava nenhum impedimento. Ela: – Oi, você me ligou?

- Liguei. E você esqueceu-se de mim?
- Por que me ligou?
- Porque me deu vontade, eu tenho saudade.
- Saudade? Estranho...
- Nossa, você tá tão rude!
- Queria que eu te tratasse como? Uma semana atrás, você desligou na minha cara, ficou todo nervosinho, e antes disse que me ligaria no outro dia. Quer que esteja numa boa?
- Você endoidou?
- Só não tenho tempo pros seus ataquezinhos.
...
- Como você está?
- Bem.. e sua vida, como anda?
- Tudo igual.
...
- Só queria te pedir desculpas por não me atentar aos detalhes que são tão importantes pra você.
- Tá. Você me ama?
- Você me ama?
- Perguntei primeiro!
- Responde você!
- Não sei, não consigo..
- Eu também não.
- Então não ama!
- Acho que.. - Está gostando, ficando ou curtindo outro?
- Quê?!
- Sei lá, se estiver eu vou ficar feliz, porque a gente tá longe...
- Olha, você sabe que descuidou, pensou que toda vez que te desse na telha ia me ligar e a idiota aqui ia dizer que ainda te amava. Mas tudo muda, as pessoas mudam... Os sentimentos mudam.
- Então você gosta de outro.
-... Sim! (Choro) E eu não queria, mas você não fez nada pra não ser assim, não me deu escolhas.
- Como é esse cara?
- Torto! Todo torto, todo errado. Totalmente diferente de você.
- Você não merece ele.
- Mas quando a gente abre a porta pra uma pessoa entrar, qualquer uma entra!
...
- Pra ser sincero, eu também estava apaixonado e só não te contei porque eu tinha pena, pois eu achava que você ainda gostava de mim...
- Não quero ouvir! Tchau.
- Agora me ouve, eu deixei você falar... quero te falar a verdade também!
- Não, eu não quero ouvir porque eu sei que é mentira, e me poupe da sua pena.

-Ow, com você não dá!
- Nem com você.

A distância não denota falta de amor. Mas a ausência sim. A falta de interesse, de comunicação, de apetite, e de confiança. A falta contradiz qualquer ventura do amor. Dizer que ama não implica em realmente amar. Essa certeza explica por si só. Ele pensava saber tudo sobre ela. Mas a verdade é que o que ele não sabe sobre ela daria um livro enorme e completo. Ela às vezes sentia dificuldade de respirar. Não queria incutir na sua cabeça o milagre do novo amor, de um recomeço, de um ponto final. Ela nunca foi tão feliz. Nunca gostou de justificar suas mentiras, mas se mentiu foi por proteção. Porque é fato: só protegemos quem amamos. Gastou todas as suas palavras, frases e pontos escrevendo sobre a tormenta que ele causava a ela. Sobre todas as vezes que seu coração palpitava de prazer por perceber seu cheiro. O reboliço no organismo. A dor psicológica.

Não foi culpa dele. E não adianta culpar o acaso, as circunstancias, e o outro. A culpa é do tempo, que nunca dá trégua, que não cura as feridas, mas cicatriza a todas. O tempo é o agente do afastamento, do desligamento, do desamor. É incansável, inquieto e sabe quando a necessidade da satisfação fatalmente provocará a separação.

Mas ele ainda busca resposta e sua vida está uma merda. Acredita que daqui a dez anos ele a encontrará e os dois viverão eternamente, como se fosse sina. Acredita que foram feitos um para o outro pois apenas ela consegue distorcer seus sentidos, enchê-lo de saudade e satisfazer suas lombrigas. Seu amor por ela não é mais identificável. Contudo, alguém botou um ponto final e retirou aquela amarga vírgula. Alguém ouviu sua súplica ou a dela. Mas, em algum canto da memória ele há de guardar todos os seus beijos, e sua pele cor de sereia. O cheiro do seu corpo e seu maldito gosto por los hermanos. Seu sonho de grinalda, e de algum dos quatro filhos ter os olhos da cor dos seus.

Ele e ela. Sempre os dois.
Sempre indispensáveis em ambas as vidas. E é triste ter de ser eu a narrar este ultimo capítulo. Embora eu não acredite nesse fim, eles fizeram assim. Não foi eu que inventei essa história, e como uma mera expectadora, torço pra que ele acredite nessa mentira para que suas vidas rumam o caminho certo e escrevam suas próprias histórias. Que ela não viva essa mentira, mas que transforme-a em verdade. Que parem de viver e depender do suposto amor do outro. Que cessem todas as lágrimas. Que não sejam mais escravos das duras e doces lembranças. E que seja feita essa vontade.
Hoje, eu fecho esse livro, mas sei que um dia alguém contará essa história. Sentirá seu coração arder como se estivesse vivendo-a e suspirará quando terminar falando que ela sempre o amou e que ele nunca a esqueceu.

domingo, 20 de junho de 2010

Enquanto isso, a paixão me distrai..

Tudo parece estar em divina ordem. Do jeito que planejei, ou melhor, do jeito que pedi. Nada a mais do que o exato esperado. Da calmaria e da serenidade desejadas. É bom que eu confesse que o que escrevo aqui, embora seja algo real e interiorizado, é bem próprio do momento, da leitura, da escrita. Ou seja, não penso nisso a todo o momento, e talvez eu nem viva o que realmente dito a toda hora. Tem muito mais nisso, ou menos do que se mostra. Há um exagero quando demonstro estar desiludida e perdidamente apaixonada por um ser que me esnoba e ignora tudo o que pra mim tem um gigantíssimo valor. E é constante a diminuição que me faço toda vez que expresso os sentimentos considerando que são inúteis perante essa minha forma de amar. A forma que encontrei pra mim. A forma que se desencontrou de mim.

Quando o coloco em meus sonhos, estou puramente me punindo por guardar tanto engasgue aqui na garganta. Serei então uma eterna covarde, pois não há ilusão maior e mais excitante do que é transmitida num sonho. Há quem diga que coleciono homens errados e faço confusão dos certos. Se ele fosse uma peça para se colecionar, não seria a das mais raras, porém a mais delicada de todas. Pois todo cuidado com ele é pouco, sendo que o autoflagelo já nem existe mais.

Continuamente penso nos meus ideais. Daquilo que quero pra mim, do que espero de mim. Nunca fui de planejar, nem de me prender a desejos repentinos ou estimulados por outros. E isso não inclui nenhuma paixonite, namorico ou bitoquita. É que sem perceber elas simplesmente acontecem. De repente a idéia do namoro sério, de estar com alguém e simplesmente planejar o casamento dos sonhos aparece... E toma conta de todo resto de senso que te sobra. Mas não toma o lugar dos teus reais objetivos, excluindo então esse pensamento duplo, gerando o mais egoísta de todos: Se realizar.

Só sei que quando o via o mundo parava de girar, ou girava em tempo menor, ou rodava em velocidade excedida... Não sei. O que eu sei é que perdia o ar, o movimento e as palavras. Perdia-me. E que todos devem estar cansados de saber isso, inclusive eu. Esse acúmulo de sentimento cresce e se penetra de uma maneira tão fria no meu ponto mais sensível. Os pés, apesar de saberem o caminho estão viciados em praticar algumas rotas em círculos. As mãos estão preocupadas a todo instante, e com mania de tapar os olhos. São sentimentos mal-resolvidos, com forte perspectiva romântica e uma tendência incrível de se concretizar em amor. O que me dá medo porque o meu ideal é me apaixonar sem me prender, sem assustar, sem viciar. Por enquanto eu vou no embalo e fico nessa minha respeitável espera pela outra etapa, onde eu saberei, finalmente, outra vez, o que é amar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Minha gratidão tem nome

O que eu queria mesmo dizer é outra parte de mim, e já é dito de outra pessoa.


Toda vez que me esprimo há caldo de sobra.
Todos esses anos enxuguei os mais vivos momentos pra dentro do meu íntimo. Me arrisco em dizer que o melhor do que passei ainda não está por vir, mas do que já me aconteceu é de bom tamanho. Ontem, por um momento, notei que havia silêncio a ponto de ouvir somente os ponteiros do relógio em sua imposta missão misturados ao ruído dos meus céleres pensamentos. Do meu quarto ouço automóveis e caminhões na rodovia, e claro, sem distingui-los. E não há mais rota de avião, como já houve. Então percebo que algo mudou. Lógico! A todo instante muda, têm noção?

Enquanto me extraio, posso lembrar do clima frio e estagnado de outrora. De quando vivia o colegial sem me dar conta de que o levaria pos alguns anos a frente, ou até pela vida toda.. quem dirá que não? Consigo recriar imagens velhas, sentir o cheiro que aquilo tinha, e refazer o ambiente com a ocasião. Éramos amigos insolúveis. Tínhamos uma adolescência em contratempo. Sonhávamos além do que sabíamos. Exigiam-nos bem mais do que podíamos. Mas sobrevivemos a tudo, e me aventuro por dizer que ainda é insolúvel. Ah, que falta me faz essa época; a cor dos sorrisos, o sabor dos bilhetes, o descompromisso com a vida, o sonhar em forma de fantasia, e a amizade que todos os dias existia. É tão triste pensar que nos tornamos 'pessoas grandes', como dizia o principezinho, e que 'pessoas grandes são assim'. Têm necessidade de explicação, não são verdadeiramente compreensivas, e por vezes não te dão crédito dependendo da sua roupa. Hoje existe a distância, tanto de cidades quanto de escolhas que fizemos, e que as vezes é superada por recados periódicos no orkut, ou nem isso.

Tentei me enxugar ainda mais e vi que sou consumida por lembranças que merecem o total primor. Me vi correndo pelas ruas enquanto o céu desabava, sem me importar por molhar os livros e cadernos, ou ficar ensopada correndo o risco de pegar qualquer doencinha aguda. Me ouvi cantando no tom mais fino e no volume mais alto no meio da rua, em plena madrugada ou em qualquer volta pra casa, músicas que estão vivas até hoje dentro de nós. Me achei brincando nas águas claras do rio de sempre, refletindo o feliz sentimento exposto ao sol. Sinto os meus pelos se arrepiando só de pensar em tudo o que passamos, que na verdade não passou.. ficamos! Fico anestesiada só por lembrar de todos os pedacinhos que exploramos, os cantinhos que inauguramos, as piadinhas que inventamos, os gritos que arrancamos, e da alegria que tivemos.

Desculpem-me se eu os envolvi nisso. Talvez não fosse essa minha intenção, e sim de outro, que por pretensão ou acaso queria nos unir. Ainda que eu preze por minha liberdade, não quero me desprender de certas coisas. Pessoas, coisas não. Não há razão pra pressionarmos tudo, acontecerá naturalmente, de forma diferente. Nem há motivos pra chorar; se a amizade foi real e intensa, ela sempre volta. Forçar muitas vezes é um pecado! Por isso, não espero que todos os que são inesquecíveis pra mim voltem, mas que de alguma forma não me deixem. Nossas cenas, embora não intactas, ainda estão guardadas. Só há uma pausa solene entre elas, que a vida encarrega de fazer.

Sei que foi estranho, mas me justifico por ser tão insone.

Amigos,
obrigada pelas lembranças e noite não dormidas pensando nelas.
Sintam-se abraçados, apertados e mordidos de leve por mim, sempre.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Meia terça-feira

Adoro manhãs. Manhãs de sol escaldante ou de frio congelante. Manhãs com semi-roupas ou empacotada num moleton velho, de uma cor só, e embrulhada por dois edredons. Manhãs dormindo ou caminhando; sonhando ou trabalhando. Mas hoje é terça-feira, e acordei já era meia-manhã. O vento já havia dissipado as nuvens, e os passaros já estavam ensaiando o coro da manhã seguinte. Com os pés aquecidos pela pantufa, e o corpo frio mas protegido, fui até a cozinha... onde meu chá aguardava por mim. Me lembrei de uma entrevista de emprego que marquei na tarde passada pra hoje de manhã. Me limpei, me vesti, me perfumei e fui-me. Voltei pra casa achando que tudo "deu certo". Do jeito que pensei, ou mais. E continuo pensando assim!

Minha cama estava do jeito em que a deixei, e o livro na página certa. Comecei a ler de onde parei, e decidi lutar por ela ... Resolvi pensar em algo que silenciasse a dor dela, e que resolvesse sua saudade. Estava farta de achar que se estragou por quem não a merecia! De olhar aqueles olhos que sempre te faziam mal. Ele é um incauto. Não cuida! Se deixa... e por vezes te deixa. Ele sabe, folga, não leva a sério. Ela é inconsequente, não sabe e leva tudo ao pé da letra. Ele a quer por algumas horas. Ela o quer interminavelmente. A dor dele é um fragmento, a dela é generalizada. Ela sofre mais, tá na cara! Mas é ele que chora sempre. Que liga quase toda semana. Ela corre e ele a pega. Ele foge e ela o perde! Toda vez que ela o vê desgraça o seu lindo rebolado. Ele perde a vergonha ganhando seu espaço. O corpo dela fica inerte. Ela é sofrivelmente linda, e é isso que ele diz, mesmo não vocalizando nada. Se percebem num olhar. A respiração daquele ar louco e apaixonado embaçava o vidro do carro. Mas ela sabe que na manhã seguinte aquela noite expressiva ficará ardente em sua memória. E para ele não significará muita coisa, ou apenas nada.

Todos os dias ela acha que seus sentimentos relativo a ele são só provocações e impulsões. Os dele por ela são triviais e calados. Ela pensa que o coração dele é surdo, mas no final conclui que é somente mudo. Ele tem medo por ela ter tanta ousadia? Ou ele é covarde por ser tão insensível? Ela não sabe. Talvez se soubesse ela poderia apagá-lo do seu cerne. Nos recônditos ele abriga. Ainda. Que mal ela fez? Como eu gostaria de safar ela disso.

Ouvi minha mãe me chamar, e despertei -me desse cesto de dúvidas e incertezas. Quando já vi, passava-se do meio dia, e depois dessa hora proibi-me de pensar em qualquer coisa que não faça sentido. E quanto a ela? Ela é a questão, a pergunta e a resposta. É a intensidade, o desespero e a coragem. Ela é a dor, a briga, ou a palha. Ela sou eu, ou ele, ou nada. Contudo o que é importa é que Ela vive dentro de mim e dele, embora não saiba.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O amor que desatina e faz doer

Um vento frio acordou minha pele. Tive a sensação de ser acordada por alguém, mas não percebi nenhuma alma perto. Meticulosamente abri os olhos, e não era um sonho. Estava realmente respirando.

Não queria pensar sobre aquilo de novo. Estou ficando chata e repetitiva. Desordenando-me mais uma vez. Meus dias turvos voltaram. Horas intermináveis. Sua imagem me derruba. Respirar, ao invés de vida, me traz a dor. Não sei não mostrar ingratidão nessas horas. O meu mato estava seco, e mato seco é combustível. E é disso que me alimento. Das suas cenas, da sua voz, das suas frases. Ouço a canção mais triste. Aliás, qualquer ritmo ou qualquer nota se faz triste.

Não quero falar sobre aquilo de novo. Deploro-me sempre que preciso te responder. Fabrico uma lágrima a cada vez que me pergunta. Meus músculos faciais paralisam a todo minuto que te ouvem. Sou um exagero, toda vez que preciso te explicar. Sua voz sempre foi minha canção de ninar, e seu cheiro meu despertar. Sonhei com você me abraçando. Um abraço apertado, suado e forte. Posso te ver com olhos fechados. Seu olhar é como um tiro. Sabe meu gosto, conhece minha forma. Vimos o sol, a chuva; o seco o molhado. Que raiva! Meus dias turvos voltaram...

Não preciso reclamar sobre isso de novo. São desejos furtivos. A sua risada sempre funciona. Seu número em minha agenda é sempre recente. Seu tom é inconfundível. Algumas letras suas me machucam. As lembranças todas me cortam a carne. A qualquer estação do ano meu coração sente aquela dor familiar. Meu amor me barra. Prende. Sufoca. Seu amor me esgota. Tortura! Sou sua sombra, e você me persegue. Enquanto tentou me agradar, eu tentei me ajustar. Consegue ver em mim encantamento. Sabe chorar, ou atuar. Só quero gritar quando eu te vejo ou te imagino em alguma foto, em algum lugar, com qualquer pessoa.

O silêncio e o escuro me incitam. Já esteve com alguém, não disse nada, e saiu sentindo que teve a melhor conversa da vida? Sim, com você é profundamente sempre isso! Teve o pior e o melhor de mim, e não soube entender. Sabemos da vida um do outro; dos piores momentos, até das melhores situações. Desfruta da minha melhor qualidade, e se deita em meu maior calo. Derreto-me de saudade. Finjo não sentir a sua falta, e me distraio com sua ausência. Estamos tão cansados. Deus sabe! Não desejamos parar, mas os sentimentos martelam. Tudo é uma harmonia de erro, nada adequado ou certo. Acostumamos a isso. Distâncias geográficas não mandam em nada! Principalmente quando há sentimentos reticentes.

Morremos quando uma coisa boa acaba. Porém, não há como classificar se o que acontece é bom ou ruim, se acabou ou se é sempre um começo. Misturamos nossas histórias. Deliciamos do proibido. ‘Loucura? Talvez, mas não mais do que aquela que vivi’. A noite não se atrasa. E o que eu sei é que meu passado não morreu, e quase não dorme.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conflitando e aprendendo

"Se sofreu uma injustiça, console-se; a verdadeira infelicidade é cometê-la." (Demócrito)

Quem disse que contar alguns segundos resolve a situação, esfria os nervos, ou arrefece o estouro que está prestes a acontecer?
No meu boletim escolar carrego algumas discussões, que por alguma injustiça, não medi esforços para evitar. Lembro-me de uma situação engraçada/trágica que envolveu a psicodinâmica toda mais meus adoráveis amigos, pais, e professora. Aconteceu lá no fundamental, onde tudo é legal. Minha sala de aula era composta por um time de futebol amador. Sem reservas, sem bandeirinhas, sem treinador. Uma menina, e os patrocinadores (pais). Éramos a ameaça. Agitávamos o terrorismo nos menores, fazíamos as meninas pagarem lanche, e os professores chorarem. Num lindo dia percebemos que nossos aviões de papel não tinham turbinas, que o giz molhado não funcionava, e que tudo estava perdendo a graça. Foi aí que começamos a ofender a mãe, em total reciprocidade. Usávamos a profissão delas junto com a nossa personalidade e criávamos apelidinhos lindos/horrendos. Muito pestes, e sempre inquietos, inventamos um pra tia, a professora de ciências. Essa não gostou e nos dedurou para os patrocinadores, que nos colocaram de castigo, que resultou em NADA... Reuniões foram feitas. Até que um dia, dois comparsas mais eu fomos expulsos da sala e metidos a ficar no corredor para refletir, logo após uma intensa e quente briga com a tia. Nada que envolvesse os apelidinhos, mas por uma simples injustiça da parte dela, em não querer repetir a explicação. Afirmando que, “entendendo você ou não, essa sala é um desgosto”. Declarando altamente ser uma fã de Goethe: Prefiro uma justiça a uma desordem. Ela não soube como controlar, e se não sabe manipular, é melhor que nem ordenes! Então, partimos para a agressão- a verbal – onde tínhamos doutorado. Talvez você esteja escandalizado com tamanha atrocidade marginal da nossa/minha parte. Mas nós soubemos na infância a lutar contra as injustiças. A aquecer momentos críticos com tamanha lista de argumentos. Sem ter que disfarçar que estamos certos, ou confessar que não fizemos errado. Criamos, dentro de nós, um ninho de confiança e liberdade. Não nos tornamos corruptos ou assassinos, mas infiéis a lei do julgamento, da crítica cons(des)trutiva. Um problema? Talvez, mas não maior do que vivemos. O que faltou entender é o porquê da existência de pessoas que estabelecem suposições sendo que sequer fazem juízo. O tal do preconceito, do julgar, do arremessar pedras. Quem não ajuda que não atrapalhe! Quem não dá a mão para ajudar alguém a subir, que pelo menos não desça o pé! Entre outros jargões. Sempre me ensinaram a questionar pelos meus atos. A olhar as atitudes dos outros e entender- compreender-ajusta-las. Se não for pra apresentar mudanças, não haverá razão em xingar! Ora, não estou tencionando que sou uma injustiçada e que mereço mimos e piedade por isso. Só estou exteriorizando esse sentimento que há aqui dentro e que não há espaço para enraizar. A questão não é interpelar a injustiça, ou querer a extinção dela, mas saber como fazê-la ou interpretá-la. Porque cometê-la, não há ser humano que não o faça. Minha intenção nunca foi ser um problema social, embora minha mãe tenha me alertado a isso. Não saberia conduzir greves, estimular protestos ou começar um abaixo-assinado. Mas sei polemizar. E há tempos fazer isso não era necessário. Tudo é uma questão de escolha e conseqüência. Da ação e relação, do falar ou o olhar, do entender e aprender. Independente de motivações, critérios estabelecidos, justiça mal resolvida. De provas mal corrigidas ou de crianças mal educadas. É apenas uma luta interna... ou você estraga tudo, ou você se cala!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Solilóquio

(No céu do rio Paraná, 28/03/10. )
Há semanas eu ansiava por isso. Não sei se por tanto querer, ou por não saber ao certo se queria mesmo ou não. Tufões de ansiedade e medo. Sentimentos que inebriavam-me. Alguma coisa aqui perto me dizia que era distante que encontraria a paz. Então eu me hesitei. Só então me controlei...

Uma sorridente manhã de sábado. Malas repletas de roupas. Bolsas com perfumes, xampus e bolachas. Pausas estranhas para contemplar a preocupação de não esquecer nada. O grito de pressa da mãe. Os últimos retoques no rosto, no corpo e na pele. A despedida eterna por dois dias fora. O ônibus. O pessoal. A alegria. O tchau! Aquela bagunça cor de baunilha que não irritava nem o motorista. A voz gutural do meu irmão, companheiro de poltrona. A conversa fiada. O ressonar dos mais velhos. A estrada. As cidades de antes. O sol que me levou as lembranças. A música gritada lá atrás. A saudade comprimida. A vista do rio. A altura da ponte. A insígnia que caracterizou a chegada. A expectativa do momento. A surpresa que haveria. No começo alguém parecia uma inexorável imagem, que passaria disso para palhaço no fim. A entrega das camisetas. O recolher do tempo. A acomodação. A brincadeira. A dinâmica. A sintonia. A harmonia. A renúncia. O acampamento!

À noite, ainda ouvi algum cantar de pássaro. Um cantar de grupo. Uma cantada de alguém... O lanche que satisfez, a brincadeira divertida que cansou, a música que cessou. A lua, o mato, o rio. A oração, novamente uma canção. O balanço, que me fez venerar, ainda mais, a gravidade. A garoa que vi que tocou, que nos molhou. O toque de recolher, apenas recolher... Porque dormir, NÃO FOI O CASO! Um monte de besteiras ditas sem pensar. Flores jogadas pela janela. O tempo que passava pela quantidade de palavra traduzida. A música, o sono, o sonho... Quem deu aquela buzina de gás na mão dele? O tendo que acordar e tendo que sorrir na hora que o galo nem pensava em cantar! Fingir que dormimos. Disfarçar as olheiras. Comer, beber e aproveitar!

Aspirei à paz. Aquela que, um dia atrás, alguém professou que encontraria. E então, descobri que família é uma benção, e abrange muito mais que fitas de DNA iguais. E aprendi que meus dias podem se encher de flores, de cheiros e de amores se eu assim permitir. Que a areia fina também combina com peixes de água doce, e que há transparências nos rios. Que perco gramas caminhando por elas. A sensação de soltar balões é coisa fina. Que muitas pessoas junto não significa multidão; e poucas junto não é solidão. Que há Deus nas pessoas, nos abraços e nas palavras. E que é forte! E que a saudade pode estar comprimida, mas não desaparecida. E que é impossível manter-se alegre, feliz e cantante...

Na direção do azul, é lá que olho e vem de lá o que sinto!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pare com isso e Arrume tudo!

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Esses dias de mudança mexeram muito comigo, pra não dizer que me estragaram. Eu me senti volúvel demais, instável demais e estranha demais. Como foi tudo muito rápido, alguns lances me passaram despercebidos, o que eu lamento ter acontecido. O meu quarto, que sempre foi meu escritório, meu apartamento, meu lugar seguro, meu diário secreto, minha deliciosa bagunça, meu íntimo, passou a ser simplesmente um quarto sujo, sem ordem e silencioso.
Em casa, minha cabeça pifava e sorte que as aulas começaram. A companhia de alguém familiar que esteve sempre perto por esses dias, me confundia ainda mais. Tudo estava tão vazio quanto a sala do meio. Meu coração entoava ecos de uma lembrança esquecida. Não via cor nas paredes, nem graça no jardim. As molduras ficavam tortas, haviam ratos atrás das portas, e na pia algumas baratas mortas. (não era pra rimar, mesmo!). Eu só queria gritar, e saber me organizar. Não demoraria uma semana pra eu me acostumar, ou talvez me situar. Mas eu estava desgastada, e a mudança me estragou.

Me lembro de quando era criança e que mamãe me acordava para assistir meus desenhos preferidos. Acordava disposta, e como numa rotina, louca para assisti-los. Não me apressava em escovar os dentes, nem me importava com remelas. Os desenhos matinais pareciam mais calmos, como se dessem bom-dia num tom engraçadinho. A tarde tinham uns bem rurais, que eu os acompanhava com uma mamadeira, ou chupeta e fralda. Antes de dormir assistia alguns programas infantis, supereducativos, e que me inspiravam alguma invenção no dia seguinte. Evidente que eu não saberia que aquele meu contentamento e prazer que vinham com desenhos “bobinhos”, me fariam falta hoje... ou que seriam substituidos por outros tipos. Arrume tudo e Pare com isso é, sem dúvida, o desenho mais ditador. É como se a voz da sua mãe estivesse por trás, subliminarmente. Cada um dos personagens tem o nome de uma bronca, veja que máximo: Lave seu rosto, Brinque lá fora, Fique calmo, Agora não e o mais legal de todos Eu disse não, dentre outros. E por mais que a arte e os efeitos sonoros fossem bons e por uma causa nobre, eu só queria que o desenho acabasse o mais rápido.

Na Tv a cabo passa um programa que se chama Cada coisa em seu lugar, que eu me recuso a assistir novamente. Mas, um dos espisódios uma mulher precisava se livrar da maioria dos seus móveis e trecos que só enfeiavam e sujavam o aspecto da casa. Uma mulher triste e desesperançosa. O roteiro do programa é quase igual a todos desse tipo, embora algo muito interessante me chamou a atenção. Quando ela estava prestes a ficar uns dias viajando para que o pessoal pudesse organizar sua casa e colocar móveis novos que puderam comprar com a venda dos seus antigos, ela virou para apresentadora e disse: “Estou me livrando de um pedaço empoeirado da minha vida.” Não era só do desgaste dos móveis, da bagunça de todos os cômodos, ou da poeira nas roupas que ela estava falando. Era de um pedaço que só ela exergava. Como se o aspirador pudesse passar pela sua vida e tirar todas as impurezas. O recomeço. Um outro olhar, um novo astral. Uma imensa limpeza de casa e alma.

Houve uma briga de sentimentos dentro de mim.

Depois de 5 dias consegui arrumar meu quarto. “Oh, quanta porquice”. Não, não é isso. Era só uma questão de pendências a resolver, e alma para lavar. Botei colcha nova, joguei sapatos fora, dobrei minhas roupas, limpei meus livros e passei veneno. Tomei coragem e pude ver a real imagem do meu íntimo. De repente eu estava me abrindo com quem eu nunca vi mais gordo; Ouvindo aquela música que eu prometi nunca mais ouvir, e sem chorar; Tocando texturas da parede velha e achando o máximo. Neutralizando odores naturais das plantas do jardim; Vendo novos desenhos e tentando não rir com malícia; E sentando no chão frio do meu quarto outra vez! Me acostumando, me acomodando. Convivendo, e aprendendo.

Fernandinho Pessoa para fechar:

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Desejo comedido

' Ignorar os fatos não muda a importância deles. (Shakespeare)


Vontades efêmeras. Na redundância, já tive diversas. Daquelas que repentinamente surgem, e do mesmo modo desaparecem. Algumas que incendiaram ainda mais o meu espírito instintivo e outras que, influenciadas pelas tais circunstâncias e clima, me desanimavam fácil. Já tive vontade de jogar tudo ‘pros ares’, de mandar gente pro espaço, e de chutar baldes. Como já me deu vontade de parar com tudo, seguir outro rumo, e fazer o que era feito antes. Vontades. Potencializar desejos. Pensar em satisfazer a carne. Surpreender a expectativa. Avançar na espera. Tomar iniciativas, ou simplesmente tê-las.

As vontades não nos dão direito de escolher, já repararam? O desejo quando aparece independe do que é certo ou errado, do que é sensato ou banal, do possível ou não. É louco. A meu ver parece normal, mas não é! Aquilo que te deixa cego, que te faz romper barreiras, que te faz perder o domínio, e que te enlouquece... Sei lá, pode até ser normal então, mas não parece. Seriam doiduras do inconsciente? Pode ser que as vontades efêmeras nem sempre sejam malucas e inconseqüentes, mas provocam alguns danos quando elas passam. Provocam, pois: quando queremos fazer alguma coisa e que logo passa é porque vimos alguma barreira, um cisco que seja, mas que nos atrapalha e impede de concretizar tal vontade. E daí a perda de equilíbrio em muitos casos.

Veja, não tenho a pretensão de fazer um artigo, expor uma conclusão, ou te fazer refletir sobre o que são vontades, seus efeitos e blá. Não! Mas acho legal me expressar daquilo que me impõe às vezes. Minhas vontades, e a não realização das mesmas. Nada de aprofundamento, só um entendimento... básico!

No ano que passou aprendi algumas coisas. Algumas que me fizeram estabelecer critérios em determinados assuntos e por limites em certos relacionamentos; outras coisas que não vão servir pra nada, talvez como meras experiências, vagas lembranças e só.
Uma das coisas que aprendi, e que cabe aqui, é que orgulho é diferente de arrogância, e ambos são diferentes do self-respect. O tal do amor-próprio. Vesti pra mim, e tentei vestir em outro, mas o tamanho da culpa as vezes excede o da carapuça. Mas nada que me tire a calma.
Aprendi que a capacidade de alguns em manobrar situações ou pessoas nem sempre é um dom adquirido por todos. E que eu, definitivamente, não sei fazer isso. Mas isso não é uma maneira de me depreciar, acredito que não.

Também aprendi que praticar “jugo desigual” é tão fácil quanto apontar alguém que o fez.

E finalmente encontrei em uma frase que Charles Chaplin eternizou, a maior lição do texto: “Não morre quem deixou de viver, mas quem deixou de amar”. Penso que quem deixou de amar deixou de ter vontades, de amar-se, de suprir suas urgências, de deixar o sentimento falar mais alto que o pensamento. Sentir vontade, saudade e não ter medo. Talvez as vontades efêmeras não valem a pena. Porventura ‘as coisas são mais preciosas porque não duram’. Os fatos que marcam são aqueles que já se foram. E o que já foi quiçá não volte mais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O céu do peixe

A vista do céu pelo rio São João do Marinheiro - 13/01/2010!

Mais uma vez, outro começo de ano.
Não enxergo assim como as pessoas que acham que os anos só façam uma pausa no fim de cada. Não consigo ver que o que muda são só os números de uma vida, ou para morte. Creio que, mesmo subjetivamente, tudo muda, ou tudo mudará. 365 dias são o suficiente para botar a casa em ordem novamente, praticar novos planos, alinhar novas ideias e viver outros momentos. De forma única e intensificada, por que não? Apesar de ser apaixonada por rotinas, e de não saber planejar, me pego muitas vezes participando do inesperado, do diferente e de surpresas que só a vida promove. E penso que tudo isso é bom.

Ontem, me recordei de como era pescar em família. Daquele tipo de pesca que só se faz no verão. Planejamos por algumas horas, e em minutos tudo estava pronto. Caixas de isopor, refrigerantes suados, e comidas engordativas. Muita comida. Roupas especiais do tipo shorts e calças velhas, chapéus, bonés e toalhas. E alguns equipamentos como varas, iscas e latinhas. Compramos as minhocas e alguns comes a mais na Venda. Saímos todos emocionados, embora uns tentavam esconder a emoção atrás do preço da gasolina.

Minha vó adora tudo isso. E isso tudo para ela tem nome: Aventura. Eeee, as vezes, dependendo do lugar, essas aventuras custam caro. Escolhemos a prainha, então. Além de ser perto é barato.
Quando chegamos pude ver o brilho e o sorriso nos olhos da minha vó. A emoção e o humor nas cantorias do vô. A alegria do meu pai em nos satisfazer. A satisfação da minha mãe em aconchegar o lugar. A paciência cínica do meu irmão ao esperar um belisco sequer do peixe. A comemoração exagerada da minha mãe sempre que fisgava um. O meu ar competitivo (se eu perder, eu apelo!). O silêncio mudo e prazeroso do Tunim. A agitação do Carlos. O profissionalismo do meu pai. E a fala engraçada e divertido do vô. Os sistemas límbicos de todos superativados.
A harmonia do lugar, da atividade e das pessoas. Uma breve amnésia de tudo.
Tudo em sintonia, uma super pescaria!

O céu azul, com algum tom de nuvem branca, que se misturava a sombra do rio.
A grama verde e macia. As águas em leves agitos tocando a terra. O balanço das árvores, o sopro do vento, e o sussurro das águas. Um cantar de passarinhos nativos. E o sol, que parecia nunca ter brilhado daquele jeito antes.

Quando tomados pelo cansaço da diversão do dia, começamos a nos organizar para voltar. Na minha competição do dia eu venci pelo esforço, meu irmão e mamãe pela quantidade, e o troféu paciência e felicidade do dia foram para o vô e a vó. Ao anoitecer, paguei pela minha teimosia; o protetor seria SIM um ótimo amigo. No final do dia, só o pó.
Lembrei-me de como essas coisas me modificam – no físico, espiritual e psicológico.
Já tive dias assim, com as mesmas pessoas e no mesmo lugar. O que muda são as datas, os pensamentos e o valor que se dá para isso. Quanto mais perto do começo do ano se dão esses acontecimentos, mais influenciam no ano e no jeito que vamos viver o mesmo. Querendo ou não, coisas boas ou não. Longe de ser superstição, mas acredito que começar o ano pensando que ele é realmente um começo, nos dá um ar de renovo, uma oportunidade a mais. Pense que os anos que se passaram ficaram, e que tudo o que acontecer agora, mesmo que seja parecido com o que foi vivido, é novo... e melhor! Até as rotinas tomam caras novas.

Nos nossos aniversários são sempre as mesmas pessoas, os mesmos presentes e o mesmo bolinho encomendado? Sim, pode ser. Porém a quantidade de bexigas diminui com o passar e as velinhas do bolo aumentam. E, pode crer, isso faz toda a diferença. Férias é a diferença. Reunião com amigos, família, e próximos. Sentir o vento, o barro, ou o sol... ou simplesmente se preparar para um novo começo de aulas, trabalho.. etc. Viver, faz toda uma diferença!

A vida é curta – diria a minha mãe – e não há pausas.
O término e o início de ano são só respirações necessárias, o que é vital.
Então, enjoy it!
Expire, inspire e encare! O ano só está começando.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fechada para balanço!

É como se meu coração estivesse explodindo de tanto querer escrever, falar, mostrar ou pesar....

Você já participou de algum amigo oculto confidencial secreto, em que o que realmente valia fosse a intenção? Isso mesmo. A intenção e não o valor, o presente, ou a pessoa que estivesse dando-o. Então qual seria a intenção de um carro zero dado pelo seu tio, ou uma cesta gigante com todos os modelitos de chocolates do mundo, pela avó? Ou o que realmente significaria o intento da sua amiga em lhe dar um abraço, e seu pai simplesmente dizer que você é o melhor filho do mundo, tudo isso ou só isso de presente? Se eu insistisse em perguntar o que pesa mais, se são os objetos caros e materiais ou o afeto e as palavras mais esperadas para um filho? “Certamente o imaterial tem mais valor”. Em qualquer situação? Mas o que pesou pra você no momento em que ganhou esses presentes, o que foi mais bem intencionado? “É claro, o carro demonstrou um gesto enorme de gratidão e reconhecimento da família, e é bem melhor.”

Não é, exatamente, pra refletir nisso. Pois a nossa balança, geralmente é parcial. Parcial a nossas escolhas, a nossos objetivos e a nossas intenções em relação ao que queremos pesar. Tem certos abraços que são puramente mágicos. Tem elogios que nos emocionam. Mas tem casos que isso pode não acontecer. De uma parte ou de outra. Amor nem sempre é bem-vindo, ou bem dado. Tem carros que são mais confortáveis, trazem mais diversão, ou são mais perigosos. Há chocolates que elevam o estado de espírito, seu auto-estima, ou que fazem uma banha quilométrica aparecer (Não necessariamente, e nem com tantos quilômetros assim). Mas o intuito dos presentes é provocar mudanças, transformações e efeitos. E reflexões sobre injustiça, "o que foi que eu fiz?", etc. E o intuito desse texto pode ser totalmente reverso a isso tudo!

Nos finais de ano eu costumo fazer um balanço. As vezes faço isso sem querer, sem pensar que estou fazendo, ou sem pretensão alguma por fazer. Embora eu tenha parado de usar agendas para especificar meus fatos em datas, ainda uso meu caderno, onde contêm apenas frases dos meus acontecidos. E isso me ajuda. Ajuda-me a ser justa. A ver de todos os ângulos, formas e conteúdos. A opinar direito. A rever conceitos. A pesar sem preconceitos. Ajuda-me a calcular o valor, os erros, os acertos e os preços.

Pesar e não julgar. Pesar gestos, palavras e atitudes. Verificar a proporção de cada. Medir o tamanho. Talvez intensificar o peso. E aí sim, finalmente dar o valor. O valor merecido, prestado e intencionado. É nessa balança de fim de ano que procuro dar prioridade a família que é inatingível, e sempre companheira. Dar importância aos amigos que combinam com todos os dias da semana e finais de semana. Recompensar todos os meus esforços, com sorrisos de satisfação. E agradecer a Deus, por ter me dado o ano, a balança e o que pesar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu pormenor,

Oba, o feriado vem aí! Vamos fazer alguma coisa? Não sei! Qualquer coisa! Uma coisa que possa nos unir. Que nos faça rir. Para nos ver. Uma coisa que nos inclua. Que nos aproxime. Mas de perto, tão perto. Para que depois não haja explicações, e sim sentimentos e pensamentos, e o cheiro da saudade. Daquilo que ficou. Do que ainda permanece. E do que não vai mudar.

Ta marcado! Avisa o pessoal. Ok, vamos dividir as tarefas: eu aviso uns três, você avisa o resto. Ta boooom, avisamos todo mundo. E seja claro no “priorize esse encontro”. Pede pra que não falte. Eu sei que não haverá esforços, pois essa vontade é coletiva! (né!) Queremos nos rever, e fazer o que sempre fizemos. Sentir o brilho do entusiasmo voltar; voltar o tempo. Conversar. Olhar nos olhos. Desabafar... Expor nossas futilidades! Afinal, já não vivemos juntos, o ano passado já acabou. Os tempos (que hoje me fazem uma leve falta) já se foram. E temos novas histórias. Engraçadas por sinal. Embora outros rumos, outras rodovias, outras casas, mudança de planos, mudança de curso ou de faculdade.. a família é a mesma. Porque não fomos, mas hoje somos uma família. Não é galera?

Opa! Exagerei no final?

Marcamos na pizzaria. Não na melhor, mas na que me veio em mente. Não to afim de narrar o inesperado, mas aconteceu. Nada exatamente como planejamos, mas eu garanto, foi até melhor. O inesperado pode ser sim melhor. Mas fizemos tudo o que queríamos, e acalmamos a nossa saudade, temporariamente! É divertido juntar seis ou sete pessoas pra rachar uma pizza, mas às vezes três resolvem beeeeeem o problema. Pois então, isso marcou mais uma das nossas temporadas!

Sinceramente, cheguei a conclusão que os nossos atos refletem nos fatos, e no que será guardado deles. Me entenda. Enquanto eu digitava esse texto, um “monstrinho voador”, ficou sobrevoando a minha cabeça. Incomodou-me, pois eu NÃO o convidei pra ficar aqui perto, poxa. “Sai daqui, cê ta chato!” Ta me atrapalhaaaando!” Ele se tocou. Mas não demorou muito... e veio num voo rasante, todo-todo, pra cima de mim. Aí eu me senti atacada. E começamos a guerra. Mas não perdi a paciência, e fizemos uma trégua. Ele foi para a lâmpada e eu continuei a escrever. Porém, senti que ele não queria ficar longe de mim. Mas eu sim. Ou eu só não queria estar junto. Perto. Outra vez.

Com isso percebi que a maturidade aparece naturalmente, nos momentos em que achamos que ta tudo igual, normal. E nas amizades, o forte é ter maturidade. Tanto pra compreender uma falta, quanto pra valorizar uma presença. Nem sempre as pessoas que viveram os mesmos momentos nossos, viveram na mesma intensidade que a gente. Tentar não machucar, mas realizar tréguas. E saber se afastar, se perceber que realmente não valerá mais a pena. Que acabou, porque pode acabar. Reconhecer sempre o gesto e a atitude com gratidão. Demonstrar o afeto e explicitar a importância àquelas pessoas que não saem do teu lado, mesmo que nos momentos inoportunos da sua vida. Que se mostram amigos, que são amigos...

Opa, Oba! E vem outro feriado por aí...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Longe de casa (...)

(Rod. Euclides da Cunha, 13/09/09, por mim)
Acordando com o galo.
A proteção materna ao cuidar de acordar.
Sentindo o cheiro leve e matutino da brisa.
O sino bate pontualmente.
Uma carona indispensável e favorável.
Filosofar na aula de hoje. (...)
Fone, música e paisagem.

O que é mais legal na vida são as coisas ocasionadas. As situações que acontecem,
as visões momentâneas, os risos das coisas despercebidas, as “caras” desconhecidas.
Sou sócia do clube das pessoas que veem graça naquilo que, em geral, não tem. Acho graça mesmo! Dou risada. Admiro. Participo. Paro e reparo.
Me encanto. Me espanto.

Mais ou menos uns 65 Km. De Jales (pois é, onde me habito agora) à Votuporanga (cidade do que vou ser quando crescer). A cada parada um vizinho de banco, novo. Por
volta de 45 bancos.

Nunca acreditei nas amizades feitas em ônibus. Não se faz amizade em ônibus. Passageiro não é um apelido, é um nome. No entanto, as pessoas insistem. Cumprimentam cordialmente. Alguns como se conhecessem a pessoa há anos. Outros com a cara mais fechada e carrancuda do mundo, como se o vizinho fosse o culpado da derrota do seu timeco. Compartilham o cheiro de queijo nacho do salgadinho com todos, e ainda oferecem. Cantam alto. Exageram na piada. Leem páginas. Já sentam reclamando, esbravejando, xingando o pobre do motorista, deitando o banco até chegar no joelho do azarado de trás. Tossem, espirram, bocejam, roncam. Sem falar nos... E dormem, finalmente dormem.

Note os detalhes desta curta viagem.
Percebam a intimidade entre os passageiros.
Há todo um calor e uma recepcionalidade envolvida.
Os seres humanos gostam disso. Se sentem bem em qualquer lugar.
Se façam à vontade.
A solidão de viajar num ônibus só aparece internamente, e quando quer.
Pois não é necessário.

Todo dia é um dia diferente.
Novas expectativas, novas decisões.
Novas nuvens, novas folhas.
Novos gestos, novas emoções.
Outros sentimentos, outras preocupações.

“Basta cada dia o seu próprio mal” – Mateus 6:34

Mas pra toda viagem, um “bilhete” novo.
Em cada página, do mesmo livro, um conteúdo distinto.
E de toda andança, o cenário único.

Pontual é o sino.
Rodoviária é o destino... tchau!

sábado, 22 de agosto de 2009

Quando o desapego não me pega mais..

Uma manhã fria. O compromisso de todos os sábados. A roupa da ocasião. O carro apertado - não pela quantidade de gente - mas pelo conteúdo saturado. Estou, aparentemente farta, porém calma, sempre na paz.

A primeira semana de aula. Tudo parecia fácil, mas os professores têm o poder de estragar tudo, né?! (vício). Adoram comemorar nosso sufoco com os outros professores do bando. Adoram! Especialistas em confundir, pressionar, acabar com o pingo de alegria, que, no mínimo, é a razão dos recreios. Muito bons no quesito “já passei por isso”, “vai por mim”, “comece a estudar”. Péssimos em pacificar e ajudar, pô. (vício!!)

Não sei por que raios existe tal disciplina: Neurofisiologia. Nadei! Simplesmente. Mas não minimizo a importância da tal. Ok, os íons de sódio entram, fica tudo positivo, gerando o impulso nervoso e é festa. No mesmo momento dessa descoberta, me lembrei das aulas inúteis das manhãs de segunda e quinta. Insuportáveis e soníferas. Biologias e químicas. De fato, todo aluno pré-vestibulando que se preze há de gostar, certo? Nunca foi o meu caso.

No último episódio do reality ECOPRÁTICO, da tv Cultura, a tv que faz bem - na sessão Desapego, que assisti – eram com bolas murchas. Dois meninos da casa precisavam se libertar de 11 bolas murchas. Difícil. Era o “prazer” deles terem aquelas bolas furadas, espalhadas pelo quintal. Afinal, as bolas eram deles, independente do estado delas. Quando os apresentadores disseram que eles doariam as bolas para crianças que nunca brincaram com uma, os meninos aceitaram numa boa. Quase que desfizeram sem nenhum sentimento. O chato é quando há sentimento.

Uma das minhas professoras fizera uma revelação bombástica: “Tenho 3.000 livros catalogados na minha estante. Tenho livros até italianos, dos quais nunca li. Guardo jóias da minha avó, e essa roupa que estou hoje têm 20 anos.” Silêncio. (Todos cara de quem viu Michel Jackson pela última vez). Entendam que, para a psicologia, se apegar demais a certas coisas das quais poderiam ser passadas adiante, pode se tornar patológico. Doença!
....
Respiro minhas lembranças, guardo os meus afetos e vivo as minhas datas. Sou completamente pegajosa ao que passei.

Gosto de me lembrar e de aprender nessas entrelinhas coisas novas do passado velho. Me prendo ao que não gostava antigamente mas que seria bom se fosse diferente. Abraço as nuvens cheias, e não saio à procura dos pingos. Hoje, me lembro das aulas inúteis de biologia e química, com real alegria. Jamais vou me livrar dos livros didáticos que marcaram o cheiro da infância. Aos amigos velhos e eternos, sofro por fazer novos. Talvez as roupas de hoje não me servirão daqui 20 anos (vide a minha genética familiar,) mas servirão de pano fino e talvez raro para os que virão.

Tá boooom, viajei e tal...

Uma tarde fria. Um solzinho tímido. Uma companhia alegre. Janelas do ônibus abertas.Um dia cheio. Estou completamente calma, porém farta... e saturada.


...

sábado, 8 de agosto de 2009

Marmelada!


Uma semi-final e final programadas. Tudo balela! Tudo tão organizado quanto imaginávamos. Não estávamos tão tranqüilas quanto da primeira vez. A primeira vez foi um luxo. Quando subimos àquelas escadas e nos deparamos com o restante dos participantes, tivemos um sensação recíproca. O vermelho natural do rosto de uma de nós estava mais aparente do que nunca. As mãos congeladas; o frio, o calafrio. O suor do nervosismo. Ensaiamos o “ooo oooo” umas quatro vezes. Nos sentimos preparadas e ao mesmo tempo sem os pés no chão. Cantamos. “Arrasamos”. Se não fosse nossos amigos do peito, acompanhantes e familiares...

Na segunda apresentação estava tudo a favor do desconfortável. Aquele momento “ufa” de outrora já se baniu. A música é boa! As meninas são sensacionais. Até a nossa aparência com relação a roupas e a beleza natural também vai, rs, mudava o ar do cenário. Sinceramente, as pessoas nos temiam pela nossa imponência. Sorrisos tensos. Palavras de otimismo e conforto. Temos um sonho.

Tínhamos um sonho.

É certo que quando pedíamos à Deus a ajuda para ganharmos, lembrávamos que não era uma competição entre os melhores, e sim para quem estava mais preparado. (Na nossa cabeça, não!) Era uma competição, sim! Havia grana no jogo. E, afinal, estávamos preparadíssimas. E rolava um sonho conjunto. Queríamos o topo, sem escalar em ninguém. “O céu é o limite”.
Falando assim parece meio egoísta, um pensamento egocêntrico. É sim, bem pertinente. A torcida era o nosso termômetro.

Demos o nosso melhor, ou não. Faltava pouco. Agora não adianta jogar as culpas. Cada um fez o seu possível, e os jurados contribuíram para que no primeiro dia achássemos que éramos as invencíveis. Não nos faltava humildade, mas era coisa quase que certa. A terceira vez foi embaçado. Desafinação, ou não.

A nossa atitude denunciou o nosso erro e desapropriação daquilo que estávamos fazendo. Descemos com a cabeça baixa, desânimo, e um ar de derrota. Além claro do sonho corrompido. Uma demora. Após tudo o resultado. Não era o que esperávamos. Via-se em nosso olhos. Um 4° lugar injustiçado. Um 1° lugar injustiçado. Uma classificação desonesta. Uma desculpa esfarrapada. Preferência, independente de tudo , para os da cidade. Kilometros sem abrir a boca. Precisamos nos conformar? Revolta.

Tempo de perder, tempo de ganhar.

É tempo de agradecer.
Obrigada a todos que contribuíram para essa nossa iniciativa;
Por acreditarem que o nosso talento vai além de qualquer julgamento; e que
apenas começamos.
Pais, irmãos e amigos, que não mediram esforços.
E a Deus, que nos surpreende com a sua vontade, e que nos fortalece quando nos sentimos derrotadas.

Em especial: Grupo ABA. As melhores, sem dúvidas.

domingo, 5 de julho de 2009

Vacaciones para Jésus

Difícil de colocar em palavras, o anseio todo que tenho por esta viagem não tem tradução. Nos próximos dias 14 à 22, eu - juntamente com um grupo de aproximadamente 31 pessoas, especialmente queridas- estarei em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia. O objetivo é tão simples quanto a vontade que tivemos, quase que imediatamente, no dia em que nos foi anunciado. Essa iniciativa nos estimulou à pratica do que Jesus ordenou por amor a mim, a você, a ele, a ela... “ Id por todo el mundo y predicad el evangelio a toda criatura” . (San Marcos 16:15)

Para quem me conhece sabe que, sempre me dediquei a igreja. Especificamente na Igreja Adventista da Promessa, da qual cresci e que sempre me orgulhei e respeitei, pelo convívio, pela doutrina, pelo auto-aprimoramento e todo conhecimento adquirido. Foi lá onde cantei pela primeira vez, onde descobri que não basta querer cantar; é preciso ter vocação e viver a música de uma forma grandiosamente intensa e totalmente direcionada à causa.

É preciso saber que uma igreja não é apenas uma questão de hábitos e costumes, e sim movida por iniciativas, atitudes e boas obras. No âmbito religioso há muitas formas de querer mostrar a existência de Deus. Mas, infelizmente, poucos entendem o recado a ser passado. Poucos querem entender e interpretar o contexto bíblico do jeito que é, alguns fazem-no pelo que convém outros sequer o faz. É uma pena.

Bem... o roteiro já está em mãos. Tivemos todas as instruções, dicas e ordens. O primeiro passo já foi dado.

Determinada e esperançosa, conto os dias com total ansiedade. Não é tããão visível o meu terror à avião, mas é sentido pelos que estão a minha volta. Já camuflei esse meu medo pensando em vários métodos até engraçados para me confortar. Inúteis, eu sei. Não é pra tanto, também sei. Não que seja um empecilho, já que pelo motivo vale a pena qualquer tipo de esforço, mas é algo que me desconforta. Em todo caso, jejum e oração, e aquela respiração que vem do fundo!

Pois sei que estarei “em boas mãos”.

Do mais, voltarei com muitas novidades e com uma carninha na brasa me esperando!

Beijomeligainternacional!