quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conflitando e aprendendo

"Se sofreu uma injustiça, console-se; a verdadeira infelicidade é cometê-la." (Demócrito)

Quem disse que contar alguns segundos resolve a situação, esfria os nervos, ou arrefece o estouro que está prestes a acontecer?
No meu boletim escolar carrego algumas discussões, que por alguma injustiça, não medi esforços para evitar. Lembro-me de uma situação engraçada/trágica que envolveu a psicodinâmica toda mais meus adoráveis amigos, pais, e professora. Aconteceu lá no fundamental, onde tudo é legal. Minha sala de aula era composta por um time de futebol amador. Sem reservas, sem bandeirinhas, sem treinador. Uma menina, e os patrocinadores (pais). Éramos a ameaça. Agitávamos o terrorismo nos menores, fazíamos as meninas pagarem lanche, e os professores chorarem. Num lindo dia percebemos que nossos aviões de papel não tinham turbinas, que o giz molhado não funcionava, e que tudo estava perdendo a graça. Foi aí que começamos a ofender a mãe, em total reciprocidade. Usávamos a profissão delas junto com a nossa personalidade e criávamos apelidinhos lindos/horrendos. Muito pestes, e sempre inquietos, inventamos um pra tia, a professora de ciências. Essa não gostou e nos dedurou para os patrocinadores, que nos colocaram de castigo, que resultou em NADA... Reuniões foram feitas. Até que um dia, dois comparsas mais eu fomos expulsos da sala e metidos a ficar no corredor para refletir, logo após uma intensa e quente briga com a tia. Nada que envolvesse os apelidinhos, mas por uma simples injustiça da parte dela, em não querer repetir a explicação. Afirmando que, “entendendo você ou não, essa sala é um desgosto”. Declarando altamente ser uma fã de Goethe: Prefiro uma justiça a uma desordem. Ela não soube como controlar, e se não sabe manipular, é melhor que nem ordenes! Então, partimos para a agressão- a verbal – onde tínhamos doutorado. Talvez você esteja escandalizado com tamanha atrocidade marginal da nossa/minha parte. Mas nós soubemos na infância a lutar contra as injustiças. A aquecer momentos críticos com tamanha lista de argumentos. Sem ter que disfarçar que estamos certos, ou confessar que não fizemos errado. Criamos, dentro de nós, um ninho de confiança e liberdade. Não nos tornamos corruptos ou assassinos, mas infiéis a lei do julgamento, da crítica cons(des)trutiva. Um problema? Talvez, mas não maior do que vivemos. O que faltou entender é o porquê da existência de pessoas que estabelecem suposições sendo que sequer fazem juízo. O tal do preconceito, do julgar, do arremessar pedras. Quem não ajuda que não atrapalhe! Quem não dá a mão para ajudar alguém a subir, que pelo menos não desça o pé! Entre outros jargões. Sempre me ensinaram a questionar pelos meus atos. A olhar as atitudes dos outros e entender- compreender-ajusta-las. Se não for pra apresentar mudanças, não haverá razão em xingar! Ora, não estou tencionando que sou uma injustiçada e que mereço mimos e piedade por isso. Só estou exteriorizando esse sentimento que há aqui dentro e que não há espaço para enraizar. A questão não é interpelar a injustiça, ou querer a extinção dela, mas saber como fazê-la ou interpretá-la. Porque cometê-la, não há ser humano que não o faça. Minha intenção nunca foi ser um problema social, embora minha mãe tenha me alertado a isso. Não saberia conduzir greves, estimular protestos ou começar um abaixo-assinado. Mas sei polemizar. E há tempos fazer isso não era necessário. Tudo é uma questão de escolha e conseqüência. Da ação e relação, do falar ou o olhar, do entender e aprender. Independente de motivações, critérios estabelecidos, justiça mal resolvida. De provas mal corrigidas ou de crianças mal educadas. É apenas uma luta interna... ou você estraga tudo, ou você se cala!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Solidão


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto.

SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão, pela nossa alma.

(Fátima Irene)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Solilóquio

(No céu do rio Paraná, 28/03/10. )
Há semanas eu ansiava por isso. Não sei se por tanto querer, ou por não saber ao certo se queria mesmo ou não. Tufões de ansiedade e medo. Sentimentos que inebriavam-me. Alguma coisa aqui perto me dizia que era distante que encontraria a paz. Então eu me hesitei. Só então me controlei...

Uma sorridente manhã de sábado. Malas repletas de roupas. Bolsas com perfumes, xampus e bolachas. Pausas estranhas para contemplar a preocupação de não esquecer nada. O grito de pressa da mãe. Os últimos retoques no rosto, no corpo e na pele. A despedida eterna por dois dias fora. O ônibus. O pessoal. A alegria. O tchau! Aquela bagunça cor de baunilha que não irritava nem o motorista. A voz gutural do meu irmão, companheiro de poltrona. A conversa fiada. O ressonar dos mais velhos. A estrada. As cidades de antes. O sol que me levou as lembranças. A música gritada lá atrás. A saudade comprimida. A vista do rio. A altura da ponte. A insígnia que caracterizou a chegada. A expectativa do momento. A surpresa que haveria. No começo alguém parecia uma inexorável imagem, que passaria disso para palhaço no fim. A entrega das camisetas. O recolher do tempo. A acomodação. A brincadeira. A dinâmica. A sintonia. A harmonia. A renúncia. O acampamento!

À noite, ainda ouvi algum cantar de pássaro. Um cantar de grupo. Uma cantada de alguém... O lanche que satisfez, a brincadeira divertida que cansou, a música que cessou. A lua, o mato, o rio. A oração, novamente uma canção. O balanço, que me fez venerar, ainda mais, a gravidade. A garoa que vi que tocou, que nos molhou. O toque de recolher, apenas recolher... Porque dormir, NÃO FOI O CASO! Um monte de besteiras ditas sem pensar. Flores jogadas pela janela. O tempo que passava pela quantidade de palavra traduzida. A música, o sono, o sonho... Quem deu aquela buzina de gás na mão dele? O tendo que acordar e tendo que sorrir na hora que o galo nem pensava em cantar! Fingir que dormimos. Disfarçar as olheiras. Comer, beber e aproveitar!

Aspirei à paz. Aquela que, um dia atrás, alguém professou que encontraria. E então, descobri que família é uma benção, e abrange muito mais que fitas de DNA iguais. E aprendi que meus dias podem se encher de flores, de cheiros e de amores se eu assim permitir. Que a areia fina também combina com peixes de água doce, e que há transparências nos rios. Que perco gramas caminhando por elas. A sensação de soltar balões é coisa fina. Que muitas pessoas junto não significa multidão; e poucas junto não é solidão. Que há Deus nas pessoas, nos abraços e nas palavras. E que é forte! E que a saudade pode estar comprimida, mas não desaparecida. E que é impossível manter-se alegre, feliz e cantante...

Na direção do azul, é lá que olho e vem de lá o que sinto!

sábado, 20 de março de 2010

Por outra estação

O amor vem vindo...
cuide-se, você pode ser atropelado!

Alguém que ama não conhece limites.
Não sabe quando começou, nem porque terminou, nem porque há tanto amor.
O ser humano se entrega, flutua, e passa a bloquear outros sentidos. Ama demais! Anda suspirando, e com sensações de que tal amor o leva até as nuvens.
Eu falo de amor.

A chegada é sempre mais lenta que a partida.
Chega exatamente quando uma porta se fecha, quando o coração se distrai, quando há uma zona de sentimentos no ar. Quando nada impede de amar.
O amor sem querer ser é intruso. É revoltante querer entendê-lo, sendo que sequer possa senti-lo. É um processo cheio das melhores sensações de prazer universais. Seja pela carência ou excesso, confusão ou retrocesso, o amor acaba. Ou esfria. Simplesmente passa...

E aí eu idealizo o relacionamento passado. Não evito qualquer contato. Um pseudo-amor inacabado. Detalhes que foram desperdiçados. Sorrisos que se inverteram. Suspiros que se esfarelaram. Palavras mal-pensadas. Corações despedaçados! E sofro exagerado!

A partida ligeiramente parte, fragmenta tudo!
Já é sabido que mulheres não têm mistério algum. Codificamos o que queremos dizer, mas há aqueles que sabem perfeitamente o que queremos falar. E quando dizemos “será melhor para nós dois”, estamos assinando o termo de compromisso do final supremo de uma relação. E os homens não! Eles tomam atitudes rápidas demais, ou não. Usam termos simples, mentirosos, e desoladores. Não suportam ver seu orgulho ferido. Com essas atitudes repentinas, muitos homens se arrependem! Não tem volta, mesmo! E sofrem, choram, ligam.

De repente, se encontra a mais doce satisfação em ouvir aquela voz. Quando você pensa que está indo, inevitavelmente, está voltando milhas; o desamor causa estragos, e feridas que demoram a cicatrizarem. Então, tudo não passa de um processo lento e dolorido. Vai por mim, não adianta resmungar, espernear, gritar ou xingar. Isso, é claro, te trará um prazer absoluto e momentâneo, mas o normal é que espere o tempo molhar... E secar!

Para alguns pode ser que eu esteja misturando o sentimento mais nobre com o mais insano e louco de todos. Outros dirão que sou completamente confusa e só sei complicar o fácil. Para mim, embora calejada, demonstro moralmente minha total ‘incompetência, quando o assunto é amor’.

Somos invariavelmente atraídos e sentimos melhor junto de pessoas que comungam de nossos valores, nossas crenças e convicções. O amor não é cego. Mas pode ser exigente demais. Pois aí, quando atravesso a rua e me assusto com alguém buzinando pra mim, ou quando me afogo as magoas assistindo aquele filme que me fez chorar toda vez, ou quando, na hora que preciso dormir, me tento a escrever, pensar ou ligar, é que eu consigo lembrar o quanto minha vida amorosa é triste. Exijo-me demais. Quem sabe no outono, tudo não melhore, e eu encontre a sorte.

Enfim.
Não pense que num “é melhor assim, para os dois” não haja mais do que se possa imaginar.

“Se sentir saudade, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pare com isso e Arrume tudo!

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Esses dias de mudança mexeram muito comigo, pra não dizer que me estragaram. Eu me senti volúvel demais, instável demais e estranha demais. Como foi tudo muito rápido, alguns lances me passaram despercebidos, o que eu lamento ter acontecido. O meu quarto, que sempre foi meu escritório, meu apartamento, meu lugar seguro, meu diário secreto, minha deliciosa bagunça, meu íntimo, passou a ser simplesmente um quarto sujo, sem ordem e silencioso.
Em casa, minha cabeça pifava e sorte que as aulas começaram. A companhia de alguém familiar que esteve sempre perto por esses dias, me confundia ainda mais. Tudo estava tão vazio quanto a sala do meio. Meu coração entoava ecos de uma lembrança esquecida. Não via cor nas paredes, nem graça no jardim. As molduras ficavam tortas, haviam ratos atrás das portas, e na pia algumas baratas mortas. (não era pra rimar, mesmo!). Eu só queria gritar, e saber me organizar. Não demoraria uma semana pra eu me acostumar, ou talvez me situar. Mas eu estava desgastada, e a mudança me estragou.

Me lembro de quando era criança e que mamãe me acordava para assistir meus desenhos preferidos. Acordava disposta, e como numa rotina, louca para assisti-los. Não me apressava em escovar os dentes, nem me importava com remelas. Os desenhos matinais pareciam mais calmos, como se dessem bom-dia num tom engraçadinho. A tarde tinham uns bem rurais, que eu os acompanhava com uma mamadeira, ou chupeta e fralda. Antes de dormir assistia alguns programas infantis, supereducativos, e que me inspiravam alguma invenção no dia seguinte. Evidente que eu não saberia que aquele meu contentamento e prazer que vinham com desenhos “bobinhos”, me fariam falta hoje... ou que seriam substituidos por outros tipos. Arrume tudo e Pare com isso é, sem dúvida, o desenho mais ditador. É como se a voz da sua mãe estivesse por trás, subliminarmente. Cada um dos personagens tem o nome de uma bronca, veja que máximo: Lave seu rosto, Brinque lá fora, Fique calmo, Agora não e o mais legal de todos Eu disse não, dentre outros. E por mais que a arte e os efeitos sonoros fossem bons e por uma causa nobre, eu só queria que o desenho acabasse o mais rápido.

Na Tv a cabo passa um programa que se chama Cada coisa em seu lugar, que eu me recuso a assistir novamente. Mas, um dos espisódios uma mulher precisava se livrar da maioria dos seus móveis e trecos que só enfeiavam e sujavam o aspecto da casa. Uma mulher triste e desesperançosa. O roteiro do programa é quase igual a todos desse tipo, embora algo muito interessante me chamou a atenção. Quando ela estava prestes a ficar uns dias viajando para que o pessoal pudesse organizar sua casa e colocar móveis novos que puderam comprar com a venda dos seus antigos, ela virou para apresentadora e disse: “Estou me livrando de um pedaço empoeirado da minha vida.” Não era só do desgaste dos móveis, da bagunça de todos os cômodos, ou da poeira nas roupas que ela estava falando. Era de um pedaço que só ela exergava. Como se o aspirador pudesse passar pela sua vida e tirar todas as impurezas. O recomeço. Um outro olhar, um novo astral. Uma imensa limpeza de casa e alma.

Houve uma briga de sentimentos dentro de mim.

Depois de 5 dias consegui arrumar meu quarto. “Oh, quanta porquice”. Não, não é isso. Era só uma questão de pendências a resolver, e alma para lavar. Botei colcha nova, joguei sapatos fora, dobrei minhas roupas, limpei meus livros e passei veneno. Tomei coragem e pude ver a real imagem do meu íntimo. De repente eu estava me abrindo com quem eu nunca vi mais gordo; Ouvindo aquela música que eu prometi nunca mais ouvir, e sem chorar; Tocando texturas da parede velha e achando o máximo. Neutralizando odores naturais das plantas do jardim; Vendo novos desenhos e tentando não rir com malícia; E sentando no chão frio do meu quarto outra vez! Me acostumando, me acomodando. Convivendo, e aprendendo.

Fernandinho Pessoa para fechar:

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Desejo comedido

' Ignorar os fatos não muda a importância deles. (Shakespeare)


Vontades efêmeras. Na redundância, já tive diversas. Daquelas que repentinamente surgem, e do mesmo modo desaparecem. Algumas que incendiaram ainda mais o meu espírito instintivo e outras que, influenciadas pelas tais circunstâncias e clima, me desanimavam fácil. Já tive vontade de jogar tudo ‘pros ares’, de mandar gente pro espaço, e de chutar baldes. Como já me deu vontade de parar com tudo, seguir outro rumo, e fazer o que era feito antes. Vontades. Potencializar desejos. Pensar em satisfazer a carne. Surpreender a expectativa. Avançar na espera. Tomar iniciativas, ou simplesmente tê-las.

As vontades não nos dão direito de escolher, já repararam? O desejo quando aparece independe do que é certo ou errado, do que é sensato ou banal, do possível ou não. É louco. A meu ver parece normal, mas não é! Aquilo que te deixa cego, que te faz romper barreiras, que te faz perder o domínio, e que te enlouquece... Sei lá, pode até ser normal então, mas não parece. Seriam doiduras do inconsciente? Pode ser que as vontades efêmeras nem sempre sejam malucas e inconseqüentes, mas provocam alguns danos quando elas passam. Provocam, pois: quando queremos fazer alguma coisa e que logo passa é porque vimos alguma barreira, um cisco que seja, mas que nos atrapalha e impede de concretizar tal vontade. E daí a perda de equilíbrio em muitos casos.

Veja, não tenho a pretensão de fazer um artigo, expor uma conclusão, ou te fazer refletir sobre o que são vontades, seus efeitos e blá. Não! Mas acho legal me expressar daquilo que me impõe às vezes. Minhas vontades, e a não realização das mesmas. Nada de aprofundamento, só um entendimento... básico!

No ano que passou aprendi algumas coisas. Algumas que me fizeram estabelecer critérios em determinados assuntos e por limites em certos relacionamentos; outras coisas que não vão servir pra nada, talvez como meras experiências, vagas lembranças e só.
Uma das coisas que aprendi, e que cabe aqui, é que orgulho é diferente de arrogância, e ambos são diferentes do self-respect. O tal do amor-próprio. Vesti pra mim, e tentei vestir em outro, mas o tamanho da culpa as vezes excede o da carapuça. Mas nada que me tire a calma.
Aprendi que a capacidade de alguns em manobrar situações ou pessoas nem sempre é um dom adquirido por todos. E que eu, definitivamente, não sei fazer isso. Mas isso não é uma maneira de me depreciar, acredito que não.

Também aprendi que praticar “jugo desigual” é tão fácil quanto apontar alguém que o fez.

E finalmente encontrei em uma frase que Charles Chaplin eternizou, a maior lição do texto: “Não morre quem deixou de viver, mas quem deixou de amar”. Penso que quem deixou de amar deixou de ter vontades, de amar-se, de suprir suas urgências, de deixar o sentimento falar mais alto que o pensamento. Sentir vontade, saudade e não ter medo. Talvez as vontades efêmeras não valem a pena. Porventura ‘as coisas são mais preciosas porque não duram’. Os fatos que marcam são aqueles que já se foram. E o que já foi quiçá não volte mais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O céu do peixe

A vista do céu pelo rio São João do Marinheiro - 13/01/2010!

Mais uma vez, outro começo de ano.
Não enxergo assim como as pessoas que acham que os anos só façam uma pausa no fim de cada. Não consigo ver que o que muda são só os números de uma vida, ou para morte. Creio que, mesmo subjetivamente, tudo muda, ou tudo mudará. 365 dias são o suficiente para botar a casa em ordem novamente, praticar novos planos, alinhar novas ideias e viver outros momentos. De forma única e intensificada, por que não? Apesar de ser apaixonada por rotinas, e de não saber planejar, me pego muitas vezes participando do inesperado, do diferente e de surpresas que só a vida promove. E penso que tudo isso é bom.

Ontem, me recordei de como era pescar em família. Daquele tipo de pesca que só se faz no verão. Planejamos por algumas horas, e em minutos tudo estava pronto. Caixas de isopor, refrigerantes suados, e comidas engordativas. Muita comida. Roupas especiais do tipo shorts e calças velhas, chapéus, bonés e toalhas. E alguns equipamentos como varas, iscas e latinhas. Compramos as minhocas e alguns comes a mais na Venda. Saímos todos emocionados, embora uns tentavam esconder a emoção atrás do preço da gasolina.

Minha vó adora tudo isso. E isso tudo para ela tem nome: Aventura. Eeee, as vezes, dependendo do lugar, essas aventuras custam caro. Escolhemos a prainha, então. Além de ser perto é barato.
Quando chegamos pude ver o brilho e o sorriso nos olhos da minha vó. A emoção e o humor nas cantorias do vô. A alegria do meu pai em nos satisfazer. A satisfação da minha mãe em aconchegar o lugar. A paciência cínica do meu irmão ao esperar um belisco sequer do peixe. A comemoração exagerada da minha mãe sempre que fisgava um. O meu ar competitivo (se eu perder, eu apelo!). O silêncio mudo e prazeroso do Tunim. A agitação do Carlos. O profissionalismo do meu pai. E a fala engraçada e divertido do vô. Os sistemas límbicos de todos superativados.
A harmonia do lugar, da atividade e das pessoas. Uma breve amnésia de tudo.
Tudo em sintonia, uma super pescaria!

O céu azul, com algum tom de nuvem branca, que se misturava a sombra do rio.
A grama verde e macia. As águas em leves agitos tocando a terra. O balanço das árvores, o sopro do vento, e o sussurro das águas. Um cantar de passarinhos nativos. E o sol, que parecia nunca ter brilhado daquele jeito antes.

Quando tomados pelo cansaço da diversão do dia, começamos a nos organizar para voltar. Na minha competição do dia eu venci pelo esforço, meu irmão e mamãe pela quantidade, e o troféu paciência e felicidade do dia foram para o vô e a vó. Ao anoitecer, paguei pela minha teimosia; o protetor seria SIM um ótimo amigo. No final do dia, só o pó.
Lembrei-me de como essas coisas me modificam – no físico, espiritual e psicológico.
Já tive dias assim, com as mesmas pessoas e no mesmo lugar. O que muda são as datas, os pensamentos e o valor que se dá para isso. Quanto mais perto do começo do ano se dão esses acontecimentos, mais influenciam no ano e no jeito que vamos viver o mesmo. Querendo ou não, coisas boas ou não. Longe de ser superstição, mas acredito que começar o ano pensando que ele é realmente um começo, nos dá um ar de renovo, uma oportunidade a mais. Pense que os anos que se passaram ficaram, e que tudo o que acontecer agora, mesmo que seja parecido com o que foi vivido, é novo... e melhor! Até as rotinas tomam caras novas.

Nos nossos aniversários são sempre as mesmas pessoas, os mesmos presentes e o mesmo bolinho encomendado? Sim, pode ser. Porém a quantidade de bexigas diminui com o passar e as velinhas do bolo aumentam. E, pode crer, isso faz toda a diferença. Férias é a diferença. Reunião com amigos, família, e próximos. Sentir o vento, o barro, ou o sol... ou simplesmente se preparar para um novo começo de aulas, trabalho.. etc. Viver, faz toda uma diferença!

A vida é curta – diria a minha mãe – e não há pausas.
O término e o início de ano são só respirações necessárias, o que é vital.
Então, enjoy it!
Expire, inspire e encare! O ano só está começando.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fechada para balanço!

É como se meu coração estivesse explodindo de tanto querer escrever, falar, mostrar ou pesar....

Você já participou de algum amigo oculto confidencial secreto, em que o que realmente valia fosse a intenção? Isso mesmo. A intenção e não o valor, o presente, ou a pessoa que estivesse dando-o. Então qual seria a intenção de um carro zero dado pelo seu tio, ou uma cesta gigante com todos os modelitos de chocolates do mundo, pela avó? Ou o que realmente significaria o intento da sua amiga em lhe dar um abraço, e seu pai simplesmente dizer que você é o melhor filho do mundo, tudo isso ou só isso de presente? Se eu insistisse em perguntar o que pesa mais, se são os objetos caros e materiais ou o afeto e as palavras mais esperadas para um filho? “Certamente o imaterial tem mais valor”. Em qualquer situação? Mas o que pesou pra você no momento em que ganhou esses presentes, o que foi mais bem intencionado? “É claro, o carro demonstrou um gesto enorme de gratidão e reconhecimento da família, e é bem melhor.”

Não é, exatamente, pra refletir nisso. Pois a nossa balança, geralmente é parcial. Parcial a nossas escolhas, a nossos objetivos e a nossas intenções em relação ao que queremos pesar. Tem certos abraços que são puramente mágicos. Tem elogios que nos emocionam. Mas tem casos que isso pode não acontecer. De uma parte ou de outra. Amor nem sempre é bem-vindo, ou bem dado. Tem carros que são mais confortáveis, trazem mais diversão, ou são mais perigosos. Há chocolates que elevam o estado de espírito, seu auto-estima, ou que fazem uma banha quilométrica aparecer (Não necessariamente, e nem com tantos quilômetros assim). Mas o intuito dos presentes é provocar mudanças, transformações e efeitos. E reflexões sobre injustiça, "o que foi que eu fiz?", etc. E o intuito desse texto pode ser totalmente reverso a isso tudo!

Nos finais de ano eu costumo fazer um balanço. As vezes faço isso sem querer, sem pensar que estou fazendo, ou sem pretensão alguma por fazer. Embora eu tenha parado de usar agendas para especificar meus fatos em datas, ainda uso meu caderno, onde contêm apenas frases dos meus acontecidos. E isso me ajuda. Ajuda-me a ser justa. A ver de todos os ângulos, formas e conteúdos. A opinar direito. A rever conceitos. A pesar sem preconceitos. Ajuda-me a calcular o valor, os erros, os acertos e os preços.

Pesar e não julgar. Pesar gestos, palavras e atitudes. Verificar a proporção de cada. Medir o tamanho. Talvez intensificar o peso. E aí sim, finalmente dar o valor. O valor merecido, prestado e intencionado. É nessa balança de fim de ano que procuro dar prioridade a família que é inatingível, e sempre companheira. Dar importância aos amigos que combinam com todos os dias da semana e finais de semana. Recompensar todos os meus esforços, com sorrisos de satisfação. E agradecer a Deus, por ter me dado o ano, a balança e o que pesar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

E eu falo dele:

Seus olhinhos brilham carinho, a sua risada espontânea ignora qualquer que seja o fato. É imensamente bom ter aqueles que você gosta, que te fazem bem, sorrir, que enfeitam sua cara de alegria e seu coração de música, do lado, pertinho. Que, somente por tê-los perto e respirando faz o tempo parar. Gostoso então é sentir o cuidado que vem de dentro de você ao estar perto desse tipo de pessoa, do tipo que a gente ama. É deliciosamente bom acordar com uma musiquinha vindo de uma voz tão doce e aos gritinhos. Ouvir o seu nome com letrinhas minúsculas. Não tendo como recusar um convite para brincar de carros, assistir um desenho, repartir um amendoim, ou ser o alvo de travisseiradas. E a gargalhada ao perceber que fez uma "coisinha" nojenta. Sentimento que vai além dos sobrenomes iguais. De uma semelhante aparência. Apesar de nem todos torcerem pro “curintia”, a família sempre esteve unida. E nosso talento e beleza é uma sensação; sabemos como chamar atenção!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A noite de cor incomum

"Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia." N.

O coração dói?

Sim. Aprendi na SUPERINTERESSANTE e na autoconvivência interna que sim. O coração é um músculo cheio de terminações nervosas. Quando é pra doer, essas terminações enviam um torpedo para o cérebro comunicando-o que há uma sensação dolorosa chegando, estando ou sentindo. Diminuição do fluxo de sangue nas artérias coronárias ou uma irritação no pericárdio, (vide aulas de anatô!), provocam a dor, e/o que pode espalhar para outras partes do corpo. Ou seja, dói.

O único homem do grupo estava prestes a se apresentar. Ele se mostrava um tanto quanto confiante. Quando começou a falar, explicar, demonstrar... mal deu para continuar. Ainda assim continuei a admirar seu ato de bravura. Foi quando tudo se apagou. Tudo se acabou. E quem seria o pentelho? Muitos gritinhos. Surtos exagerados e sustos inanimados. Alguns ministros preocupados. A evolução de como as pessoas ficaram sabendo do acontecimento foi engraçado, pra não dizer desesperador. Através dos vultos e sombras, percebia-se a expressão de medo em alguns e a energia que trazia alegria de outros. Pensamentos e burburinhos rolavam soltos. Celulares ajudavam na salvação. Partimos, então, para um ambiente conhecido, um lugar que já havíamos explorado. O único que estava um pouco iluminado.

Chegando em casa me deparei com chamas. Velas acesas por todos os principais cantos da casa. O radinho de pilha do meu pai passando as ultimas informações. O aconchego da noite. A carícia da escuridão. O sopro do vento. A certeza da solidão.
Um devaneio de rotina, o sono e o apagão.

Havia tempos que não via mais cor no escuro da noite. Que a falta da lua não me fizesse falta. Que o sopro do vento não me trazia medos. E que a falta de explicação resultasse em tanta confusão. Adoro noites iluminadas. Adoro as luzes da cidade, ou da lanterna, ou a dos olhos. E nada disso se teve. Há tempos eu não dormia sem o sussurro da tevê. Sem antes uma boa conversa no msn. Sem que eu pudesse ler o último capitulo ou começar um novo. Sem alguém me ligar pra poder passar comigo intermináveis horas. Ou que a luz do poste não entrasse pela fresta, onde se tornava visível a forma das coisas de dentro do quarto.

De repente senti uma pontada. Não tão forte, nem tão aguda. Talvez por uma situação externa. Mas o silencio doloroso da noite me fez ter motivos. E meu coração doeu. Doeu por pensar e imaginar todas as minhas noites assim. Sem cor. Doeu? Rasgou. É como se alguém tivesse tirado tudo que havia de colorido em uma parte de mim. Traumatizou? Bastante. O preto daquela noite foi o que ficou memorizado. O vento se misturando com os pensamentos soltos. E uma voz distante em algum lugar do mundo.

Mas o que está? Somente a lembrança de uma noite vazia?
Enquanto os minutos demoravam a se passar, pensei em tudo que me trouxe risos e aprendizagem naquele dia. Nos abraços que ganhei. Nos flertes tímidos. E em tudo que imaginei. E me delirei com Feist – 1234.

A dor passou, a luz voltou, e aquele sentimento vazou.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu pormenor,

Oba, o feriado vem aí! Vamos fazer alguma coisa? Não sei! Qualquer coisa! Uma coisa que possa nos unir. Que nos faça rir. Para nos ver. Uma coisa que nos inclua. Que nos aproxime. Mas de perto, tão perto. Para que depois não haja explicações, e sim sentimentos e pensamentos, e o cheiro da saudade. Daquilo que ficou. Do que ainda permanece. E do que não vai mudar.

Ta marcado! Avisa o pessoal. Ok, vamos dividir as tarefas: eu aviso uns três, você avisa o resto. Ta boooom, avisamos todo mundo. E seja claro no “priorize esse encontro”. Pede pra que não falte. Eu sei que não haverá esforços, pois essa vontade é coletiva! (né!) Queremos nos rever, e fazer o que sempre fizemos. Sentir o brilho do entusiasmo voltar; voltar o tempo. Conversar. Olhar nos olhos. Desabafar... Expor nossas futilidades! Afinal, já não vivemos juntos, o ano passado já acabou. Os tempos (que hoje me fazem uma leve falta) já se foram. E temos novas histórias. Engraçadas por sinal. Embora outros rumos, outras rodovias, outras casas, mudança de planos, mudança de curso ou de faculdade.. a família é a mesma. Porque não fomos, mas hoje somos uma família. Não é galera?

Opa! Exagerei no final?

Marcamos na pizzaria. Não na melhor, mas na que me veio em mente. Não to afim de narrar o inesperado, mas aconteceu. Nada exatamente como planejamos, mas eu garanto, foi até melhor. O inesperado pode ser sim melhor. Mas fizemos tudo o que queríamos, e acalmamos a nossa saudade, temporariamente! É divertido juntar seis ou sete pessoas pra rachar uma pizza, mas às vezes três resolvem beeeeeem o problema. Pois então, isso marcou mais uma das nossas temporadas!

Sinceramente, cheguei a conclusão que os nossos atos refletem nos fatos, e no que será guardado deles. Me entenda. Enquanto eu digitava esse texto, um “monstrinho voador”, ficou sobrevoando a minha cabeça. Incomodou-me, pois eu NÃO o convidei pra ficar aqui perto, poxa. “Sai daqui, cê ta chato!” Ta me atrapalhaaaando!” Ele se tocou. Mas não demorou muito... e veio num voo rasante, todo-todo, pra cima de mim. Aí eu me senti atacada. E começamos a guerra. Mas não perdi a paciência, e fizemos uma trégua. Ele foi para a lâmpada e eu continuei a escrever. Porém, senti que ele não queria ficar longe de mim. Mas eu sim. Ou eu só não queria estar junto. Perto. Outra vez.

Com isso percebi que a maturidade aparece naturalmente, nos momentos em que achamos que ta tudo igual, normal. E nas amizades, o forte é ter maturidade. Tanto pra compreender uma falta, quanto pra valorizar uma presença. Nem sempre as pessoas que viveram os mesmos momentos nossos, viveram na mesma intensidade que a gente. Tentar não machucar, mas realizar tréguas. E saber se afastar, se perceber que realmente não valerá mais a pena. Que acabou, porque pode acabar. Reconhecer sempre o gesto e a atitude com gratidão. Demonstrar o afeto e explicitar a importância àquelas pessoas que não saem do teu lado, mesmo que nos momentos inoportunos da sua vida. Que se mostram amigos, que são amigos...

Opa, Oba! E vem outro feriado por aí...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Babaca"

Creio que aqui vou declarar minha total incompetência, quando o assunto é amor...

Jamais passei por tantas provas, assim, juntas, das quais teria que ter sobrevivido a todas. Se a sua dor é insônia, o remédio está no cursinho de uma auto-escola. Chegou, sentou, deitou. Coisas de segundo, o sono se alastra, suas mãos que serviriam de apoio ficam bobas, seus olhos passam a pesar pelo corpo inteiro, e seu pescoço é incapaz de sustentar a cabeça, reta, pelo menos. O assento da cadeira tomou forma. Fiquei totalmente vencida e consumida por aquele estado inconsciente. Cafeína e sequilhos não eram a solução. Nem a maneira como o instrutor explicava o conteúdo, nem seus alguns erros de gramática e concordância, fizeram-me despertar daquele terrível sono. Era bem mais forte que eu, e qualquer Mariusz Pudzianowski . Mal sabia que ,ao final, dez questões avaliariam meu conhecimento e atenção prestada. Me desesperei por dentro. Me senti atropelada. Desperdício de belas manhãs vagas.

Seis matérias na grade. O tempo e minha letra pareciam não me favorecer tanto. Textos complexos, extensos, chatos e inanimados. Apenas um me deu outra perspectiva de compreensão. Do resto, tensão. Passei deliciosas tardes estudando, lendo, discordando e decorando. Tentando concentrar minha atenção em algumas explicações. Buscando respostas das quais eu não anotei. E nada de jogar culpa naquele papo paralelo de sempre! (rs) E, absolutamente nada da semana passar. Exausta de taaaaanto estudar. Deve estar querendo me perguntar né? “Você? Cansada de estudar...?” Pois então, não me pergunte.
Mudança de carteiras. Conversas rotineiras. Algumas discussõezinhas óbvias, enquanto alguém tenta a ajuda dos céus. As vezes, a intensidade de uma palavra não se limita a importância dela. Um humor forçado entre nós. O riso espontâneo. Lápis, caneta e borracha contra o papel e a boa memória. O tempo anuncia o placar, é hora de entregar.

Aqui – em algum departamento, onde estão guardados os sentimentos - , eis a causa.
A causa do sono, a consequência dos lapsos, e a culpa dos erros.
O começo da semana, o início da primavera.
Quando há existência de olhares se chocando, é inevitável: o coração está amando... pensei. Mesmo quando não se quer, o amor é um sentimento involuntário. Camufla todos os defeitos, pois sabe que existem. É triste.
“Oi, tudo bem?” – “Tudo”.
E... acabou? É, acabou. Que raios de amor é isso? Que droga!
Mas se não for, é quase. Porém a certeza é que disso nasce, floresce e morre um amor.
Que seja infantil. Embora esse desenvolvimento afetivo não tenha idade. Pois que tenha detalhes. Errar ou confundir o nome não é imperdoável, mas não saber... eu sei, a consideração nem sempre está estampada na cara. (Existem pessoas que vão continuar sendo idiotas). E que um diálogo tenha duas palavras, um gesto ou meio copo. Ou que eu esteja apressando e pondo nome naquilo que já tem.

A chuva controla a intensidade;
As amigas amenizam a vontade.
O chocolate, até certo ponto, mata a ansiedade.

Com tudo, aprendi que a preferência é sempre do pedestre. Onde quer que eu esteja.
Conversas e piadinhas em dia só por scraps, msn, ou e-mail. (Emoticons, as vezes, expressam melhor as nossas caras).
E que a obcessão... é ... algo que pode impulsionar e colocar tudo a perder.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Longe de casa (...)

(Rod. Euclides da Cunha, 13/09/09, por mim)
Acordando com o galo.
A proteção materna ao cuidar de acordar.
Sentindo o cheiro leve e matutino da brisa.
O sino bate pontualmente.
Uma carona indispensável e favorável.
Filosofar na aula de hoje. (...)
Fone, música e paisagem.

O que é mais legal na vida são as coisas ocasionadas. As situações que acontecem,
as visões momentâneas, os risos das coisas despercebidas, as “caras” desconhecidas.
Sou sócia do clube das pessoas que veem graça naquilo que, em geral, não tem. Acho graça mesmo! Dou risada. Admiro. Participo. Paro e reparo.
Me encanto. Me espanto.

Mais ou menos uns 65 Km. De Jales (pois é, onde me habito agora) à Votuporanga (cidade do que vou ser quando crescer). A cada parada um vizinho de banco, novo. Por
volta de 45 bancos.

Nunca acreditei nas amizades feitas em ônibus. Não se faz amizade em ônibus. Passageiro não é um apelido, é um nome. No entanto, as pessoas insistem. Cumprimentam cordialmente. Alguns como se conhecessem a pessoa há anos. Outros com a cara mais fechada e carrancuda do mundo, como se o vizinho fosse o culpado da derrota do seu timeco. Compartilham o cheiro de queijo nacho do salgadinho com todos, e ainda oferecem. Cantam alto. Exageram na piada. Leem páginas. Já sentam reclamando, esbravejando, xingando o pobre do motorista, deitando o banco até chegar no joelho do azarado de trás. Tossem, espirram, bocejam, roncam. Sem falar nos... E dormem, finalmente dormem.

Note os detalhes desta curta viagem.
Percebam a intimidade entre os passageiros.
Há todo um calor e uma recepcionalidade envolvida.
Os seres humanos gostam disso. Se sentem bem em qualquer lugar.
Se façam à vontade.
A solidão de viajar num ônibus só aparece internamente, e quando quer.
Pois não é necessário.

Todo dia é um dia diferente.
Novas expectativas, novas decisões.
Novas nuvens, novas folhas.
Novos gestos, novas emoções.
Outros sentimentos, outras preocupações.

“Basta cada dia o seu próprio mal” – Mateus 6:34

Mas pra toda viagem, um “bilhete” novo.
Em cada página, do mesmo livro, um conteúdo distinto.
E de toda andança, o cenário único.

Pontual é o sino.
Rodoviária é o destino... tchau!

sábado, 22 de agosto de 2009

Quando o desapego não me pega mais..

Uma manhã fria. O compromisso de todos os sábados. A roupa da ocasião. O carro apertado - não pela quantidade de gente - mas pelo conteúdo saturado. Estou, aparentemente farta, porém calma, sempre na paz.

A primeira semana de aula. Tudo parecia fácil, mas os professores têm o poder de estragar tudo, né?! (vício). Adoram comemorar nosso sufoco com os outros professores do bando. Adoram! Especialistas em confundir, pressionar, acabar com o pingo de alegria, que, no mínimo, é a razão dos recreios. Muito bons no quesito “já passei por isso”, “vai por mim”, “comece a estudar”. Péssimos em pacificar e ajudar, pô. (vício!!)

Não sei por que raios existe tal disciplina: Neurofisiologia. Nadei! Simplesmente. Mas não minimizo a importância da tal. Ok, os íons de sódio entram, fica tudo positivo, gerando o impulso nervoso e é festa. No mesmo momento dessa descoberta, me lembrei das aulas inúteis das manhãs de segunda e quinta. Insuportáveis e soníferas. Biologias e químicas. De fato, todo aluno pré-vestibulando que se preze há de gostar, certo? Nunca foi o meu caso.

No último episódio do reality ECOPRÁTICO, da tv Cultura, a tv que faz bem - na sessão Desapego, que assisti – eram com bolas murchas. Dois meninos da casa precisavam se libertar de 11 bolas murchas. Difícil. Era o “prazer” deles terem aquelas bolas furadas, espalhadas pelo quintal. Afinal, as bolas eram deles, independente do estado delas. Quando os apresentadores disseram que eles doariam as bolas para crianças que nunca brincaram com uma, os meninos aceitaram numa boa. Quase que desfizeram sem nenhum sentimento. O chato é quando há sentimento.

Uma das minhas professoras fizera uma revelação bombástica: “Tenho 3.000 livros catalogados na minha estante. Tenho livros até italianos, dos quais nunca li. Guardo jóias da minha avó, e essa roupa que estou hoje têm 20 anos.” Silêncio. (Todos cara de quem viu Michel Jackson pela última vez). Entendam que, para a psicologia, se apegar demais a certas coisas das quais poderiam ser passadas adiante, pode se tornar patológico. Doença!
....
Respiro minhas lembranças, guardo os meus afetos e vivo as minhas datas. Sou completamente pegajosa ao que passei.

Gosto de me lembrar e de aprender nessas entrelinhas coisas novas do passado velho. Me prendo ao que não gostava antigamente mas que seria bom se fosse diferente. Abraço as nuvens cheias, e não saio à procura dos pingos. Hoje, me lembro das aulas inúteis de biologia e química, com real alegria. Jamais vou me livrar dos livros didáticos que marcaram o cheiro da infância. Aos amigos velhos e eternos, sofro por fazer novos. Talvez as roupas de hoje não me servirão daqui 20 anos (vide a minha genética familiar,) mas servirão de pano fino e talvez raro para os que virão.

Tá boooom, viajei e tal...

Uma tarde fria. Um solzinho tímido. Uma companhia alegre. Janelas do ônibus abertas.Um dia cheio. Estou completamente calma, porém farta... e saturada.


...

sábado, 8 de agosto de 2009

Marmelada!


Uma semi-final e final programadas. Tudo balela! Tudo tão organizado quanto imaginávamos. Não estávamos tão tranqüilas quanto da primeira vez. A primeira vez foi um luxo. Quando subimos àquelas escadas e nos deparamos com o restante dos participantes, tivemos um sensação recíproca. O vermelho natural do rosto de uma de nós estava mais aparente do que nunca. As mãos congeladas; o frio, o calafrio. O suor do nervosismo. Ensaiamos o “ooo oooo” umas quatro vezes. Nos sentimos preparadas e ao mesmo tempo sem os pés no chão. Cantamos. “Arrasamos”. Se não fosse nossos amigos do peito, acompanhantes e familiares...

Na segunda apresentação estava tudo a favor do desconfortável. Aquele momento “ufa” de outrora já se baniu. A música é boa! As meninas são sensacionais. Até a nossa aparência com relação a roupas e a beleza natural também vai, rs, mudava o ar do cenário. Sinceramente, as pessoas nos temiam pela nossa imponência. Sorrisos tensos. Palavras de otimismo e conforto. Temos um sonho.

Tínhamos um sonho.

É certo que quando pedíamos à Deus a ajuda para ganharmos, lembrávamos que não era uma competição entre os melhores, e sim para quem estava mais preparado. (Na nossa cabeça, não!) Era uma competição, sim! Havia grana no jogo. E, afinal, estávamos preparadíssimas. E rolava um sonho conjunto. Queríamos o topo, sem escalar em ninguém. “O céu é o limite”.
Falando assim parece meio egoísta, um pensamento egocêntrico. É sim, bem pertinente. A torcida era o nosso termômetro.

Demos o nosso melhor, ou não. Faltava pouco. Agora não adianta jogar as culpas. Cada um fez o seu possível, e os jurados contribuíram para que no primeiro dia achássemos que éramos as invencíveis. Não nos faltava humildade, mas era coisa quase que certa. A terceira vez foi embaçado. Desafinação, ou não.

A nossa atitude denunciou o nosso erro e desapropriação daquilo que estávamos fazendo. Descemos com a cabeça baixa, desânimo, e um ar de derrota. Além claro do sonho corrompido. Uma demora. Após tudo o resultado. Não era o que esperávamos. Via-se em nosso olhos. Um 4° lugar injustiçado. Um 1° lugar injustiçado. Uma classificação desonesta. Uma desculpa esfarrapada. Preferência, independente de tudo , para os da cidade. Kilometros sem abrir a boca. Precisamos nos conformar? Revolta.

Tempo de perder, tempo de ganhar.

É tempo de agradecer.
Obrigada a todos que contribuíram para essa nossa iniciativa;
Por acreditarem que o nosso talento vai além de qualquer julgamento; e que
apenas começamos.
Pais, irmãos e amigos, que não mediram esforços.
E a Deus, que nos surpreende com a sua vontade, e que nos fortalece quando nos sentimos derrotadas.

Em especial: Grupo ABA. As melhores, sem dúvidas.